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Epitáfio da editoria Web em Questão
Anita Leite
A internet passa por sua “Era de ouro”. Como os anos 40 para o rádio e os anos 60 para a TV, a vida cotidiana atual não pode ser imaginada sem a internet. Esse meio que oferece diversão, entretenimento, informação, é essencial a qualquer trabalho, seja direta ou indiretamente, além de ser a principal fonte de renda da publicidade.

O Canal da Imprensa foi concebido em uma idéia visionária. Embora em seu nascimento, em 2002, a internet já fosse um meio de comunicação estabelecido, nem todas as pessoas possuíam acesso. Lan Houses, celulares plugados à internet ou mesmo o Google ainda eram pensamentos longínquos, devaneios. Pelo menos para a maioria das pessoas comuns.

Os primeiros passos

Se tratando de criticar o jornalismo oferecido pela internet, o Canal da Imprensa sempre se preocupou em fazer uma abordagem clara e distinta. Prova disso é a atual edição. Como revista eletrônica, veiculada na rede mundial, critica a si mesma.

A primeira edição da revista (em 21/08/2002 foi cautelosa, pouco tropeçou. A editoria chamada Mídia Eletrônica, trouxe textos dos, então, alunos Allan Novaes, Fabiana Amaral e Ana Paula Ramos. De Novaes (Se Bourdieu estivesse vivo...), a crítica ferrenha aos telejornais que despendem tempo a falarem da programação de entretenimento oferecida pela própria rede de TV. Já Fabiana, no texto Fazendo Notícia, defende esta prática, pois os programas de entretenimento atingem grande audiência e fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas. Mas de jornalismo na web, nada se falou! Uma discrepância, para uma revista eletrônica do curso de Jornalismo, veiculada na rede.

Mas é preciso haver tolerância, afinal, a revista estava apenas começando, aprendendo a andar. Na segunda edição, a gafe foi corrigida e o tema Jornalismo na Internet foi discutido.

Naquela edição, o aluno Diogo Cavalcanti criticou o Paraná Online, e sua postura frente às eleições. O autor reforça a idéia de o jornal servir o público de informações úteis, no entanto afirma que a linha editorial não pode se camuflada com esse recurso. Cavalcanti acusa o jornal de dar ênfase a alguns candidatos e pouca atenção a outros.

Na adolescência da crítica

A perspectiva de que o Jornalismo vinha passando por transformações devido à inserção da internet, foi característica no início da revista. O texto Miojo ou lasanha? de Débora Carvalho, compara jornalismo e culinária, e critica a velocidade em detrimento da qualidade do material jornalístico apresentado na rede.

Na mesma linha, a crítica Jornalismo R$1,99 de Danielson Roaly tratou das crises sazonais pelas quais passa o jornalismo. Segundo Roaly “agora é a crise do jornalismo online”. No entanto, essa mesma crise foi vista pelo autor como “uma oportunidade de repensar a profissão.”

Daí para frente, os textos sobre o tema ficam mais freqüentes, havendo até mesmo, uma edição inteira para tratar da internet. Em 15 de maio de 2003, na 14ª edição, a evolução tecnológica e comentários sobre como a internet invadiu o cotidiano das pessoas, analisam o comércio eletrônico, mas pouco falam de jornalismo.

Isadora Schimidt trata do, então, novíssimo tema Jornalismo Cidadão. O texto A Mania do Momento fala dos blogs, que segundo a autora, “são nada mais que comentários a respeito dos fatos...com o tempo, as coisas tendem a mudar”. E mudaram mesmo. Os blogs viraram livros, passaram a conter sinônimo de jornalismo sério, e tornaram-se um canal para que jornalistas, mesmo os renomados, tenham liberdade para expressarem-se, livres da pressão das empresas ou editores conluiados.

Outro “novíssimo” tema foi abordado por Ruth Pimentel, a Rádio Web. Deste tema, pouco se tem atualmente, afinal esta mídia continua em processo de adaptação e evolução.

Os assuntos: Religião (Jesus Cristo.com, de Jeane Barboza), a instantaneidade (Rapidez sem tendenciosidade, de Liliane Silveira), a instantaneidade que gera stress para o profissional de comunicação (Deadlines múltiplos, de Elmer Guzman), a análise dos veículos da região (Comunicação do “diabo velho”, de Danielson Rolay), foram alguns destaques dentro da grande temática Web nestes primeiros anos do Canal.

A vida começa aos quarenta

Ao fim de 2004, o Canal da Imprensa chegou à 40ª Edição, e com ele a chega “aos 40” a editoria de web. Depois da fase inicial de testes, a editoria chega à maturidade e se estabelece como veículo respeitado de crítica de mídia. Chegou a criticar o Observatório da Imprensa (E dá-lhe excessos! de Sandro Heringer)! Depois disso, fez uma edição inteira apenas sobre crítica de mídia (49ª Edição), onde a editoria Web em Questão recebeu o maior número de textos.

Destes, vale ressaltar a relevância de A imprensa como ela é, de Tiago Cabreira, onde o autor fala da crítica de mídia como “o exercício do senso crítico na leitura dos meios”. Também os blogs foram alvos de crítica, mas agora com mais conteúdo, o autor Joelmir Melo chama o leitor a também repensar e criticar a mídia que utiliza (Ombudsman é você).

É... dá pra perceber que o Canal cresceu. Os textos agora parecem mais maduros e embasados. Além disso, chega a mais de 100 mil acessos na 63ª Edição! Nesta, o tema “Evolução da Comunicação” deu ao leitor uma gama de opções na web: Os blogs foram o assunto principal. Noblat (O preço da informação, de Talles Tomaz) e Marcelo Coelho (Um blog de Gentleman, de André Leite) foram observados, admirados e também criticados.

Outra edição exclusiva a falar dos emaranhados provocados pela grande rede, foi a edição “Cibercultura”. As abreviações lingüísticas, bem como o incansável trabalho dos hackers estiveram no cerne da 79ª. Edição.

O melhor é viver!

Neste ano, 2008, a 85ª edição trouxe a crítica de Matheus Siqueira sobre os blogs que discutem as eleições norte americanas. Especialmente o blog Casa Branca-2008, mereceu atenções redobradas. Na crítica, Siqueira trata até mesmo de linguagem visual, mas fala principalmente do conteúdo e da maneira profunda com que o blog trata o assunto.

Na 86ª edição, mais uma vez a religião foi abordada na editoria de Web, pois estes temas preenchem inúmeros sites na rede. Nem mesmo o jornalismo está livre de questões relativas a espiritualidade. Criacionismo versus evolucionismo,trouxe uma abordagem bastante tendenciosa. Enquanto sobre outros assuntos os articulistas mantiveram a sobriedade, neste assunto perderam o decoro. A última editoria de Web publicada até aqui saiu tendenciosa...

Enfim, o Canal da Imprensa chega à 87ª edição. Tantas críticas,muitas feitas, algumas recebidas! A editoria de web também chega a 87ª edição...

O que se pode dizer o futuro? É possível pensar em uma mídia que vá mais longe, que alcance mais pessoas do que a internet? Hum...Será que a editoria de Web já está ficando velha?