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Casa dividida
O jornalista Daniel Lima recusou assumir a direção da redação do
Diário do Grande ABC na data em que deveria assumir, dia 23/3. Daniel tinha sido convidado pela família Dotto, fundadora do jornal juntamente com a família Polesi. Lima justificou a sua recusa devido à uma reunião com os Polesi na qual eles afirmaram que iriam fiscalizar todo o trabalho da sua futura equipe. Indignado, não quis se submeter à "censura", como chamou o ato. Os Polesis não permitiriam também mudanças na linha editorial do Diário, como era a proposta de Lima. O sócio Evenson Dotto defendeu a sua contratação dizendo que os Polesis não
poderiam ter tomado esta decisão. Daniel recusou-se a estar entre o fogo cruzado das famílias. "Em briga de marido e mulher, não se mete a colher".
Nova inspiração de Minas
Enquanto uns brigam, outros inovam o jornalismo.
O Estado de Minas expôs aos seus leitores um novo projeto editorial e gráfico a partir do dia 21. Segundo os seus idealizadores, o diário traz agora "uma forma nova de fazer jornal, privilegiando o conteúdo da informação, com reportagens mais abrangentes, analíticas e investigativas, ilustradas com fotos maiores e mais coloridas". Na opinião do governador mineiro, Aécio Neves, esta inovação não irá despertar somente a atenção de Minas Gerais, mas será uma presença tão forte que "haverá de inspirar, com certeza, em todo o Brasil, outras empresas jornalísticas".

Fraude… de novo
Nos Estados Unidos, mais um caso de fraude jornalística foi descoberto. Desta vez, o jornal
USA Today denunciou o seu ex-repórter internacional Jack Kelley. Este teria inventado, plagiado e mentido em várias publicações e discursos como representante do órgão. Ao que consta, Kelly teria até inventado partes dos seus principais trabalhos, como a crônica que o levou à final do prêmio Pulitzer. Já no escândalo de Jayson Blair, ex-repórter do
New York Times, cujas fraudes levaram à sua demissão e a de dois diretores do veículo, o acusado confessou tudo no livro que escreveu esclarecendo o assunto. Veremos se a denúncia de Kelly também contribuirá para o aumento da literatura.

Política nacional mais didática
Para os leitores assíduos de Ricardo Noblat, a felicidade será mais completa agora que o jornal
O Dia, do Rio, ganhou uma nova coluna de página inteira do ex-diretor de redação do
Correio Braziliense e também autor de A arte de fazer um jornal diário. A coluna dominical, lançada dia 21, irá tratar somente da política nacional. Será didática, segundo Noblat, e os acontecimentos da semana irão ditar quais os assuntos escolhidos e como serão0 tratados. Para os fãs ou apenas curiosos, o site:
http://odia.ig.com.br/colunistas/noblat.htm
De volta para o passado
Enquanto por um lado o jornal O Dia cresce, por outro lado é sugado. O jornal foi intimado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a pagar uma indenização de R$ 50 mil à "rainha dos baixinhos", Xuxa Meneguel. Ao jornal diz-se ter causado danos morais à apresentadora por publicar suas fotos feitas para a revista
Playboy, em 1981. Apesar de muitos acharem hipócrita de sua parte não aceitar o seu passado, outros defendem Xuxa com o argumento de que todos têm o direito de restabelecer e zelar pela sua imagem. Pelo visto, a imprensa tem que estar atenta aos "direitos" dos grandes.
Menos um para ajudar
O tradutor iraquiano Omar Hashim Kamal morreu na passada sexta-feira, 26, como conseqüência de tiros dos quais foi alvo, em Bagdá. Kamal se dirigia para os escritórios da revista
Time no Iraque, onde trabalhava, quando vários homens armados se aproximaram do seu carro e o acertaram várias vezes. O escritório da revista está localizado num dos bairros mais seguros de Bagdá. Sem tradutores, o mundo não saberá o que os iraquianos dizem… Bom raciocínio.
Um futuro melhor?
No âmbito do aniversário de 40 anos do Golpe Militar, o portal America OnLine (AOL) entrevistou Mino Carta. Mino não usou de qualquer moderação nas suas respostas: denunciou o
Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo, afirmando que nunca foram perseguidos nem censurados, mas até ajudaram nos interrogatórios. Culpou ainda a mídia brasileira de apoiar o golpe dizendo que ela existia somente para servir ao poder vigente. E arremata dizendo que o Brasil tem a pior mídia do mundo. Ruim, incompetente, ignorante, vulgar, distante e irresponsável. Depois de um tão absoluto rol de adjetivos sobrará alguém esperançoso quanto ao jornalismo brasileiro? Esperamos que sim. O futuro melhor: acho que ainda somos nós que fazemos.
 Destaque para as mulheres
Uma luz entre a desesperança surgiu na II Conferência Latino-Americana de Mulheres Jornalistas. A Rede Européia de Mulheres Jornalistas sugeriu às participantes do encontro, provenientes de países sul-americanos de expressão, a criação de uma Rede Internacional de Mulheres Jornalistas, que foi automaticamente aprovada. O trabalho da rede partirá destes países que irão criar núcleos nacionais, interligados entre si, e expor pela internet trabalhos das jornalistas de cada nacionalidade. O objetivo será um maior contato, divulgação e visibilidade do trabalho feminino no jornalismo mundial, como também evidenciar a situação atual das jornalistas e promover uma melhoria da mesma.
*por
Marisa Ferreira
criação
e desenvolvimento: lisandro staut e
siloé joão |
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