editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidianoleitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

O acaso da coincidência

Dilson Castro

O filme Mera Coincidência narra a história de um fictício presidente americano que se considerava reeleito. Contudo, onze dias antes das votações, descobriu-se seu envolvimento com uma amante - qualquer semelhança, aliás, é mera coincidência.

O escândalo sexual repercute em toda imprensa. Para solucionar o caso é convocado o "incomparável" Conrad Bean (Robert De Niro), que resolve todos os problemas do presidente. Mas para isso recorre à ajuda de um grande produtor de Hollywood, nada menos que Stanley Motss (Dustin Hoffman). A farsa consiste em forjar uma guerra entre os Estados Unidos e um país que a população nem pudesse imaginar: a Albânia. 

Daí em diante a representação dos personagens se torna empolgante; o espectador fica fascinado com a criatividade do produtor de cinema. Entretanto, pode-se notar o que está por trás da força política de uma nação. O enredo do filme mostra o poder que a mídia traz, a fácil manipulação, motivo de gozação para muitos daqueles articuladores de farsas existentes.

Distrair a atenção do público. Esse é o alvo. A mídia forja situações para desviar os olhos do povo de determinado fato. Em Mera Coincidência foi uma guerra cinematográfica. Um dos problemas de nossa formação é que não queremos saber o que esta por trás dos acontecimentos. Qual o verdadeiro sentido de uma guerra?

Acontece que ninguém pensa nos motivos de uma guerra. O presidente diz "vamos guerrear" e todos aceitam. Isso nos lembra o grande ditador Hitler e sua grande carnificina - talvez o querido presidente dos Estados Unidos esteja se inspirando nestes ensinamentos.

Isso tudo será mera coincidência? Algo muito maior pode estar nos bastidores. Quando se trata de autobenefício o governo poder até forjar uma guerra. Até quando vamos vê-los no desenrolar dos fatos e imaginar que tudo é o acaso?

Fantoches. Isso é que somos. Em guerra a mídia sempre enfoca a maior potência. Todos vão com ela. Seria coincidência? Não. A história está aí para provar.

Ficha técnica
Título Original: Wag the Dog
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1997
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Hilary Henkin e David Mamet, baseado em livro de Larry Beinhart
Produção: Robert De Niro, Barry Levinson e Jane Rosenthal
Música: Mark Knoffler
Direção de Fotografia: Robert Richardson
Direção de Arte: Mark Worthington
Figurino: Rita Ryack
Edição: Stu Linder

Elenco
Dustin Hoffman (Stanley Motss)
Robert De Niro (Conrad "Connie" Bean)
Anne Heche (Winifred Ames)
Denis Leary (Fad King)
Willie Nelson (Johnny Dean)
Andrea Martin (Liz Butsky)
Kirsten Dunst (Tracy Lime)
William H. Macy (Sr. Young)
John Michael Higgins (John Levy)
Suzie Plakson (Grace)
Craig T. Nelson (Senador John Neal)

                    

criação: lisandro staut