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O ombudsman na literatura

Isadora Schmitt

O Relógio de Pascal, de Caio Túlio Costa (Siciliano, R$ 13,20, 268 páginas)
O Ombudsman e o Leitor, de Jairo Faria Mendes (Lutador, R$ 15,00, 104 páginas)

São raras as obras que falam sobre o trabalho de ombudsman no Brasil. Significativa mesmo é a de Caio Túlio Costa, O Relógio de Pascal. O jornalista foi o primeiro ombudsman da Folha de S. Paulo, depois de ter exercido diversas funções dentro do jornal.

Infelizmente, os países da América Latina não valorizam a figura do ombudsman. Pelo fato de existirem muitas relações entre partidos políticos e a imprensa, além da lentidão para a consolidação dos direitos civis, o cargo assusta as autoridades e apresenta dificuldades para se consolidar. O próprio Caio menciona em seu livro um fato curioso. Quando entrou em férias, o banheiro da redação recebeu o seguinte recado na porta: "Podem cagar à vontade, o ombudsman está de férias."

Túlio Costa ressalta que, geralmente, o ombudsman é amado pelos leitores, entretanto, odiado pelos jornalistas. Como ele tem a função de ouvir e até mesmo interceder pelo público, ele acaba sendo um crítico da mídia, o que faz a sua relação com a imprensa ser um pouco conflituosa.

Outra obra que fala sobre o assunto é o livro O Ombudsman e o Leitor, de Jairo Farias Mendes - o estudo é resultado de cinco anos de pesquisa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Farias, seguindo o exemplo de Costa , conclui que a mídia brasileira teme a implantação da função - por isso existem poucos profissionais atuando na área. 

Por mais que as duas publicações falem sobre o mesmo tema, uma difere da outra no seguinte aspecto: a primeira são relatos do primeiro ombudsman da imprensa brasileira. A segunda, é uma dissertação de mestrado que defende a atuação do cargo em todos os ramos da comunicação.

                   

criação: lisandro staut