editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidiano | | leitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

Divinamente desinformados

Vanessa Candia

Jornalismo e Desinformação, de Leão Serva (Senac; 2001; 144 páginas; R$ 20,00)

Para muitos, ler ou ver um jornal é sagrado. Afinal manter-se informado é algo que um cidadão precisa fazer. Mas será que mesmo lendo diariamente é possível estar totalmente informado? Ou será que o leitor sofre um bombardeio de informações ficando impossibilitado de assimilar tanto conteúdo? O noticiário serve para alguma coisa ou é mero entretenimento?

Pensando assim, o jornalista Leão Serva, professor de Ética e Legislação Jornalística na Faculdade Cásper Líbero escreveu o livro Jornalismo e Desinformação.

Serva foi enviado para a ex-Iugoslávia durante a longa guerra civil. No livro, trechos de matérias publicadas à época mostram como a imprensa passava para a população fatos como sendo inéditos, mas que na verdade não eram novos. A mídia usufruía o conhecimento e da confiança que lhe era depositado.

Um bom exemplo citado pelo autor é o escândalo dos precatórios. Todos estavam acompanhando o caso para saber que fim teria. Mas poucos eram o que sabiam da existência dos precatórios. E não era do interesse dos veículos explicar ao leitor. Só interessava trazer fatos antigos quando estes vinham acompanhados de novos.

Na opinião de Serva, três conceitos são determinantes para explicar a incompreensão da informação do leitor: a omissão, sonegação e submissão da informação. Os veículos manipulam as informações de acordo com seus interesses e de outros maiores. Acabam por entreter o público em vez de informá-lo.

Serva diz que "em um mundo cada vez mais governado por regimes 'midiáticos', em que pesquisas de opinião determinam políticas de Estado, o efeito desinformante do jornalismo (...) se baseia em fatos recentes e objetivam efeitos de curtíssimo prazo".

Se todo leitor soubesse a veracidade das notícias que tão religiosamente digerem, com certeza exigiria um jornalismo compromissado não somente em entreter e exibir quilos de informações, mas em transmitir verdadeiro conhecimento.

                   

criação: lisandro staut