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Aventuras de um
correspondente internacional


Dina Karla Miranda

Crônicas de repórter, de Pedro Bial (Objetiva, 1996220 páginas; R$ 21,60).

Não é fácil sair por aí a procura de uma reportagem. A pessoa que escolher a profissão de jornalista deve se conscientizar de que passará por situações em que poderá pôr em risco a própria vida. Passar por aventuras é bom, mas não quando se está à frente do perigo. No livro Crônicas de Repórter, Pedro Bial, à época correspondente internacional da Rede Globo, conta tudo sobre suas viagens pela Europa.

Nascido em 29 de março de 1958, Bial formou-se em Jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro, em 1980. Em 1981, entrou para a Rede Globo, por meio de um curso de formação em telejornalismo. Substituiu a apresentadora Leda Nagle nas entrevistas especiais de sábado, para o jornal Hoje, em 1983.

Um ano depois, Bial entrou para a equipe do Globo Repórter como jornalista exclusivo. A experiência durou até 1988. No mesmo ano, foi chamado para assumir o cargo de correspondente internacional, em Londres.

Totalizaram-se oito anos só de viagens ao redor da Europa, anos em que o repórter passou por diversas experiências. Em Crônicas de Repórter, Bial retrata diversas situações que muitas vezes a própria mídia não pode mostrar. São histórias divertidas, emocionantes e trágicas.

Durante o tempo em que trabalhou no exterior, Bial acompanhou os acontecimentos mais importantes da segunda metade do século XX, como a queda do Muro de Berlim (1989) e a Guerra do Golfo (1991). Nesta, Bial entrevistou um grupo de beduínos, no deserto da Jordânia. No final da entrevista, eles o convidaram para jantar. A tradição é comer carneiro assado servido dentro do olho do mesmo e o jantar seguiu a regra. Bial não teve escolha; sentiu-se constrangido, mas experimentou.

O repórter conta que as mulheres em Teerã precisam estar cobertas e sem nenhum tipo de maquiagem quando saem às ruas. Do contrário, os maridos podem ser castigados. Neste caso, Bial encontrou duas mulheres, mãe e filha, que estavam cobertas, porém com unhas pintadas de esmalte vermelho. Os guardas retiraram-nas do local e as maltrataram. Esse é apenas um dos exemplos que muitas vezes a mídia não mostra.

O livro é muito bom para quem é curioso e gosta de conhecer a vida em outros países. Porém, o autor comete muitos vícios de linguagem e até mesmo alguns erros grotescos. Muitas crônicas são interessantes, mas em algumas Bial não soube utilizar o jargão jornalístico.

Bial deixa claro em seu livro não estar arrependido de ter sido correspondente internacional da Globo, principalmente porque viu quão bom é estar em um lugar certo, no momento certo, para fazer uma reportagem.

                                        

criação: lisandro staut