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Mau odor

Alex Gonsalves

No filme Fé Demais Não Cheira Bem, Steve Martin interpreta o charlatão Jonas Nightingale. Juntamente com sua assessora, Jane (Debra Winger), e mais equipe, Jonas viaja por diversas cidades dos Estados Unidos, fazendo paradas e montando uma tenda onde realiza cerimônias religiosas em forma de shows.

Há uma estratégia muito bem estruturada por esse grupo. Eles inspecionam os moradores da cidade, em especial aqueles que passam por problemas graves, e comunicam a Jonas, o pregador. Por um ponto eletrônico, falam a Jonas onde a pessoa está assentada e qual é sua doença. Ele, com palavras fervorosas, se dirige às pessoas falando de seus problemas. Impressionadas, tais vítimas se regozijam no louvor e empolgam os demais da platéia.

Com toda esta falcatrua, esses picaretas enganam muita gente. Arrecadam, no entanto, muito dinheiro em resultado desse engano. Escapam de todas as circunstâncias que os embaraçam ou ameaçam desmascará-los. Charlatões e ilusionistas de primeira.

Vivemos na era da informação. Os meios de comunicação envolvem, atraem, comunicam, convencem. E é o que acontece tanto no enredo do filme quanto no que ele objetiva transmitir. É uma crítica ferrenha às religiões. Busca rebaixá-las a conjuntos de farsas e enganos, onde quanto mais bem feitos forem, melhores.

Embora não se possa ignorar o grande número de falcatruas e picaretagens que existem no meio religioso, deve-se admitir que nem todas as denominações são assim. O mundo religioso é composto de muita gente de fé, que realmente vive o que fala. E isso não exclui os líderes.

Mas não é o que Fé Demais Não Cheira Bem enfatiza. Muitos que assistem a um filme como este saem com a impressão de que todos as religiões só apresentam mentiras e falcatruas. Porém, não desconfiam de que o amor ao dinheiro, tão enfatizado e criticado pelo filme, é exatamente o motivo pelo qual ele foi produzido.

Até certo tempo, a principal bombardeada era a Igreja Católica. Agora, as pistolas dirigem-se também aos evangélicos. As críticas não estão só em filmes, mas em comerciais de TV, spots de rádio, músicas, outdoors e os mais diversos anúncios publicitários. Aproveitam-se da fé do povo para vender produtos, mesmo que detonando tal fé, fazendo os próprios crentes rirem dela para comprar os produtos anunciados.

O problema maior da fé na mídia não é o cheiro desagradável do engano, mas a razão deste: persuadir para manipular.

Ficha Técnica
Título Original: Leap of Faith
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de Duração: 111 minutos
Ano de lançamento (EUA): 1992
Direção: Richard Pearce

Roteiro: Janus Cercone
Produção: Michael Manheim e David V. Picker

Música: Cliff Eidelman
Direção de Fotografia:Matthew Leonetti
Desenho de Produção: Patrizia von Brandenstein 
Direção de Arte: Dennis Bradfor e Scott Ritenour

Figurino: Theadora Runkle
Efeitos Especiais: Burt Dalton, Eddie Surkin e Bruno Zeebroeck


Elenco
Steve Martin (Jonas Nightingale)
Debra Winger (Jane)
Lolita Davidovich (Marva) 
Liam Neeson (Will)
Lukas Haas (Boyd)
Meat Loaf (Hoover) 
Philip Seymour Hoffman (Matt)
M.C. Gainey (Tiny)
La Chanze (Georgette)
Delores Hall (Ornella)
John Toles-Bey (Titus) 
Albertina Walker (Lucille)
Ricky Dillard (Ricky)
Vince Davis (Roger)
Troy Evans (Dade)

                    

criação: lisandro staut