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Histórias da telinha  

Lêda Maria

"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana." Palavras de Aparício Torelly em Almanhaque: um almanaque cheio de manha (Edusp, 2002), que reflete o ponto de vista daqueles que criticam insistentemente a influência desse veículo sobre o comportamento das pessoas. Divertir e manipular o telespectador, brincar com suas fantasias e determinar sua visão de mundo são algumas das façanhas da televisão, segundo os críticos de plantão.

Mas temos de admitir que, embora a televisão divulgue informações ora fiéis, ora verdadeiras, ora tendenciosas, preconceituosas, ambíguas e distorcidas, ela constitui-se um dos mais poderosos meios de comunicação. Se usada de forma correta, pode angariar excelentes resultados e promover uma reestruturação da vida social.

E foi exatamente analisando essa forma positiva com que esse veículo foi usado, que a formanda em Jornalismo, Fabiana Amaral, escreveu o livro-reportagem Gravando! Como a Igreja Adventista Usou a Televisão no Brasil. Um excelente trabalho que reúne fatos, circunstâncias e documentos sobre a TV Adventista, assunto que, até então, não dispunha de arquivos. Fabiana adentrou os cenários dos primeiros programas adventistas no Brasil e acompanhou cada passo na evolução desse quadro. Partiu da inexistência desses arquivos e tocada pela carência de registro de uma memória tão prestes a se extinguir.

Utilizou-se do gênero literário em jornalismo, um estilo que permite contar fatos reais servindo-se dos recursos da linguagem literária. Preocupada com a preservação das fontes e contextualização do leitor, a autora adotou um narrador-personagem que toma a responsabilidade pelas informações dadas por pessoas que preferiram não se expor ou comprometer. Primando por uma leitura agradável até com uma dose de humor, Fabiana retratou com o máximo de fidedignidade a história de como a Igreja Adventista usou a televisão e os resultados dos programas veiculados até hoje.

Ancorado pelo casal Alcides Campolongo e Neide Campolongo, o programa Fé para Hoje foi o primeiro programa cristão na América Latina. Protótipo de um programa dos Estados Unidos, que levava o mesmo nome e formato, conseguiu entrar na casa do brasileiro e consagrou os primeiros investimentos no meio televisivo. Na época, os atores de novelas despontavam. Visando uma maior aceitação entre o público, alguns desses atores, como Vida Alves, foram contratados para dar maior credibilidade aos programas e atrair a atenção do público.

No entanto, o inesperado aconteceu e uma série de fatores, incluindo os altos cachês exigidos pelas celebridades, levou a uma crise financeira. Percebendo que não poderia continuar investindo no programa e que seria irrelevante partir para programas menos abrangentes, o programa saiu de cena. Mas, apaixonado pelo programa, Campolongo assumiu o controle do programa e correu atrás de patrocínio. Graças à iniciativa, o programa está no ar até hoje e é o mais antigo programa de televisão da telinha brasileira.

No enredo da obra, cada fase da TV Adventista foi abordada. Começando com o Fé para Hoje, passando pela instalação do Está Escrito até a criação do Sistema Adventista de Comunicação (Sisac). 

Gravando! é um estudo louvável de uma aluna que se atreveu a "colocar a mão numa caixa de abelhas sem medo de ser picada", palavras do professor e coordenador do curso de Jornalismo do Unasp, Laerte Lanza. Um trabalho resultado de grande ousadia, extenuantes pesquisas, enorme talento e força de vontade.