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Fé nos Bálcãs 

Danúbia Silva, Loriza Kettle e Paulo Henrique Mondego 

Imagine um país dominado por estrangeiros que inicialmente fora invadido por tropas italianas e germânicas em um curto período de tempo, e onde a lei predominante era a força bruta. Por intermédio do ditador Envër Hoxha, a Albânia viveu o que se pode chamar de período negro, provocado pelo forte comunismo stalinista. O país, até algum tempo atrás, era um muito diferente do restante da Europa. Começando por sua taxa de natalidade, que era a maior do continente, e passando pelo grande número de albaneses considerados mulçumanos, pode-se ter idéia das mudanças ocorridas. Atualmente, o cenário é bem diferente.

Durante o governo de Envër Hoxha, a Albânia foi declarada um país ateu onde toda e qualquer religião era proibida sob pena de morte ou tortura a quem desobedecesse a ordem do ditador. Some a toda essa história, um homem, ou melhor, um mártir, Daniel Lewis, um dos primeiros missionários na Albânia e sua mulher, Flora Lewis. Então terá uma idéia do que é o livro-reportagem de Jônatas Lincoln Ferreira, intitulado A Fé nos Bálcãs. A origem e o estabelecimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia num País Ateu.

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Durante 50 anos a Albânia viveu o sistema comunista mais extremo da história mundial. Envër Hoxha, o ditador, era ateu e o seu sonho era eliminar Deus do País. Ele usou de todas as formas de opressão físicas e psicológicas conhecidas. Hoxha matou milhares de cristãos, entre eles muitos adventistas. Em 1967, o ditador declarou que a Albânia era o primeiro Estado ateísta do mundo. Foi um grito de vitória contra a religião. Mas o que ele não sabia era que a religião nunca deixou de existir no seu País, em especial os adventistas. Quando o comunismo caiu em março de 1992, o mundo conheceu que, em realidade, a guerra de Hoxha foi vencida pela religião."

Este foi o depoimento de Lincoln Ferreira sobre o tema de seu Projeto Experimental em Jornalismo. Um discurso emocionado, que retrata exatamente todo o sentimento da história por meio do livro-reportagem. Ferreira tem motivo de sobra para escrever sobre o assunto, afinal, sua família foi trabalhar como missionária na Albânia, depois de 50 anos de comunismo no país. 

Ditador e ateu 

Líder comunista e chefe de exército albanês, Envër Hoxha venceu uma guerra contra os nazistas que durou todo o ano de 1945. Depois da vitória contra os nazistas, Hoxha foi eleito primeiro-ministro do Estado e, em 1946, assumiu a direção do governo albanês. Em 11 de janeiro de 1946 o ditador proclamou a Albânia como Estado socialista. Entrava, aí, o comunismo na Albânia.

Durante o governo comunista, Hoxha adotou várias manobras políticas. Algumas que mais se destacaram foram a reforma agrária, o controle da mídia e a política internacional. Em 1967, a Rádio Tirana declarou a Albânia como o primeiro Estado ateu do mundo. Este fato fez com que os países capitalistas que mantinham representatividade religiosa no país pensassem que o ateísmo estava definitivamente instituído. O que Hoxha não sabia era que milhares de fiéis não apenas mantiveram sua religião como a pregaram durante as cinco décadas de comunismo. 

Em 1974, o regime comunista apertava o cerco à religião e o Estado proclamou qualquer espécie de expressão religiosa como crime. Os métodos de tortura e perseguição foram intensificados e milhares de cristãos foram assassinados pelo regime ateu. 

Pioneiro e mártir

Daniel Lewis era albanês e imigrou para os Estados Unidos aos sete anos de idade. Aí ele estudou Farmacologia em Harvard e, depois de formado, abriu três farmácias em Boston, em Massachussets. Lewis prosperou em seu trabalho, mas sempre carregava um vazio dentro de si. Um dia, andando pelas ruas de Boston, passou em frente a uma igreja e ouviu alguns hinos. Resolveu entrar. Depois de algum tempo se batizou e decidiu vender toda a sua propriedade para evangelizar a Albânia. 

De volta ao seu país, instalou-se em Korçë e abriu uma farmácia. Com o dinheiro, Lewis custeava o seu trabalho de evangelização, além de traduzir alguns impressos religiosos. 

Entretanto, aparece em cena Envër Hoxha. O comunista ordenou que todos os livros cristãos fossem queimados, principalmente a Bíblia. Com a entrada do comunismo na Albânia, o grupo formado por Daniel Lewis se dispersou. Mas Lewis continuava a espalhar o Evangelho.

Em 1951, o missionário foi preso pelo Estado comunista. Como não tinha nada que o incriminasse, o governo albanês o condenou a 30 anos de trabalhos forçados, acusando-o de ser um espião norte-americano na Albânia, já que ele tinha morado nos Estados Unidos. Lewis foi levado ao campo de concentração e obrigado a trabalhar no sábado, seu dia de guarda. De acordo com suas convicções religiosas, ele não podia trabalhar neste dia, e não o fez. Por este motivo, ele foi torturado.

Numa das torturas o soldado fez com que ele sentasse numa cadeira e tivesse todos os seus dentes arrancados com alicate. Durante quatro anos, o missionário foi torturado sistematicamente por não trabalhar no sábado. Seus companheiros de prisão o chamavam de "bispo", porque ele pregava a todos. Cada vez mais as torturas foram se intensificando até a sua morte.

Trabalhos voluntários

Quando ouviu falar o nome Albânia, um jovem empresário brasileiro, chamado Paulo Vaz, quis saber mais sobre o trabalho feito nesse país. Ele se decidiu a fazer o que fosse necessário para que aquele trabalho expandisse. Com este intuito, conheceu o pastor Oliveiros Ferreira e contou seus planos. Com isso, ele passou a patrocinar vários projetos evangelísticos no Brasil, entre eles o programa de TV Está Escrito. 

Por meio das doações de Vaz, foram patrocinados programas de rádio vinculados na Itália e Kosovo e retransmitidas para a Albânia. Metade da ajuda médica em 1991, recebeu o patrocínio do empresário brasileiro.

Brasileiros na Albânia

A Albânia apresentava dificuldades econômicas e sociais, instabilidade e indefinição política no congresso, o que dificultou a aceitação do convite. Em novembro de 1992, Paulo Vaz encontrou uma família disposta para o trabalho. 

O pastor Oliveiros Ferreira, que tempos antes estivera na Albânia acompanhando o trabalho feito no país, foi enviado para engrossar o time. Isso porque mantinha contato com as obras realizadas na Albânia.

Diante de todas as dificuldades, problemas políticos, econômicos e sociais, a família Ferreira entrou de cabeça e levantou a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia naquele país. Vale aqui ressaltar que o autor deste trabalho, Jônatas Ferreira, tem uma ligação emocional muito forte com ele. Jônatas é filho de Oliveiros e participou ativamente dos projetos desenvolvidos na Albânia. O livro-reportagem A Fé nos Bálcãs: A Origem e o Estabelecimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia num País Ateu tem uma história fascinante. Uma história de coragem e fé. 

O orientador de Jônatas, Vanderlei Dorneles, afirma que o trabalho é importante por dois fatores: a ida da Igreja Adventista para a Albânia e a participação do Brasil na pessoa de Paulo Sérgio Vaz e do pastor Oliveiros Ferreira. "É um trabalho bem feito, em que o autor conta a história de forma apaixonada e envolvente. Todos aqueles que querem conhecer a realidade do Leste europeu, não devem deixar de ler", garante o orientador.