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Silêncio ou Morte!  

Cale a boca jornalista!, por Fernando Jorge (Editora Vozes; 1987; 230 páginas; R$ 30,70) 

Jeanne Moura 

Em vários épocas e lugares do mundo a influência do nazismo, fascismo ou regimes ditatoriais, a repressão pôde ser sentida de alguma forma. Para se ter uma idéia, em 1934 e 1935 cerca de 4.600 jornais foram fechados só na Alemanha. Hitler, um dos principais opressores da liberdade do cidadão, soube deixar bem claro seu ponto de vista com relação à imprensa: "...O Estado não deve perturbar-se pelo brilho da chamada liberdade de imprensa ... ele deve assegurar-se desse meio de esclarecimento e colocá-lo a seu serviço e no da nação", relatou o ex-ditador em "Mein Kampf".

Nada melhor do que alguém que sofreu na pele as agressões de um Estado dominador da liberdade de expressão para falar sobre o assunto. Este é Fernando Jorge. Numa linguagem direta e até agressiva, carregada de desapontamento e sede de justiça, o jornalista expõe os relatos assustadores do que o governo brasileiro já fez na tentativa de calar a imprensa e assim cegar o povo.

Cale a boca jornalista! trata das arbitrariedades sofridas pelos jornalistas brasileiros desde o império até 1980. O que fazer então? Não basta apenas ter na história heróis e vilões, "é mister extrair lições do passado e transformá-las em sabedoria".

É impossível não perder a conta de quantos jornalistas foram agredidos, torturados e mesmo assassinados brutalmente. Sendo que, quase a totalidade dos casos até hoje não chegou a uma conclusão jurídica coerente e definitiva. Tais atrocidades foram cometidas pela chamada aristoplutocracia, um governo oligárquico, tirano, opressor, egocêntrico e desumano - o que de fato é comprovado por meio das páginas relatadoras que comprometem a "história branca" ensinada na maioria das escolas por todo o País.

Oficinas e redações pelos ares, jornalistas refugiados, violência, surras, represálias, muitos submetidos a castigos mais severos do que os impostos aos piores delinqüentes - que mal suportavam suas sentenças. Saíam semimortos de solitárias e prisões após sessões de terror. 

A despeito do desmantelamento das inúmeras tipografias e das cruéis manchas de sangue deixadas na história da liberdade de imprensa no País, muitos jornalistas permaneceram fiéis ao seu dever. Muitos deles perderam a vida para conquistar a liberdade - contestável ou não - a qual se tem acesso hoje, ao menos na teoria. Seguindo um quase mandamento, as derradeiras palavras do autor: "Não sacrificarás teu dever ao poder."