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Objeto
de controvérsias
Ciência: Deus
ou diabo?, por Guita Perssis-Pasternak(Editora Unesp; 26 páginas;R$28,00)
Thiago de Melo
Não é de hoje que existem intrigas e discussões em torno de questões relacionadas ao surgimento da raça humana, da
Terra, dos planetas e da própria vida. Não é fácil reconhecer que as verdades científicas são também ideologias. Essas discussões, no entanto, não se limitam apenas a teorias filosóficas ou crenças religiosas em quadros individuais.
A linha divisória entre cristãos e ateus, cientistas e filósofos nem sempre é fácil de ser identificada. Embora sejam posições distintas, é necessário um mínimo de conhecimento prévio, caso queira defender uma idéia ou mesmo criticá-la.
Com a evolução da tecnologia, novas descobertas na história e estudos aprofundados nas mais diversas áreas, envolvendo o ser humano e seus feitos - algumas indagações que num primeiro instante mostravam-se relativamente simples - agora são envolvidas e correlacionadas com uma ampla diversidade de temas. O que antes era assunto científico, agora é também religioso, tecnológico, biológico, social, cultural, ético. Enfim, a vertente pode ser única, mas as ramificações são tantas e estão ligadas, de tal forma que se tornam um desafio estudá-las separadamente.
As dúvidas são estímulos que levam a novas descobertas. Novas descobertas, por sua vez, levarão a outras dúvidas. Este processo se faz necessário num ambiente onde pensamentos modernos se chocam, contradizem ou, no mínimo, discordam de pensamentos e idéias do século passado. Há quem diga que nunca saberíamos o que sabemos, não houvessem existido pensadores como Sócrates, entre outros. Existem ainda, aqueles que defendem a idéia de que o homem moderno é, em sua essência, superior aos seus predecessores. Somos realmente mais inteligentes agora do que foram aqueles que viveram na época de Sócrates?
Por estar em constante evolução, a ciência tem por característica gerar conflitos, dividir crenças; quebrar paradigmas. Mas é, sem dúvida, a origem da vida intimamente ligada a filosofias religiosas - o tema que mais traz questionamentos à mente humana. Até certo ponto, a diversificação de teorias relacionadas ao surgimento do ser humano é saudável, pois significa que vários ângulos estão sendo visualizados, explorando as possibilidades ao máximo.
A obra A ciência: Deus ou diabo, de Guitta Perssis-Pasternak, traz uma coleção de entrevistas com os mais importantes pensadores, filósofos, astrofísicos, químicos e geneticistas da atualidade. Tanto divinizada quanto demonizada, em seu livro a ciência é objeto de controvérsia. Reunindo assuntos que vão do Big-Bang à genética. Do ciberespaço à inteligência artificial. Guitta Pessis dá ao leitor a oportunidade de conhecer diferentes linhas de pensamentos sobre os mais variados assuntos.
Edgard de Assis carvalho descreve de forma interessante o livro de Guitta Pessis: "O leitor pode dar asas à imaginação e começar a leitura pelos caminhos que considerar mais excitantes e provocativos. Pode, por exemplo, optar pelos objetos do cosmos constituídos por estrelas, planetas e buracos negros. Pode também adentrar pela irreversibilidade da flecha do tempo e pela desordem reorganizadora do caos. Se preferir prazeres e desavenças da sexualidade, defrontar-se-á com os mistérios da genética e com riscos cirúrgicos que amputam ovários e testículos".
A ciência é, assim mesmo por se dizer, envolvente. Mostra novos horizontes, cria novos desafios. É densa em sua complexidade, crítica, cheia de mitos e incertezas. Impossível, no entanto, estarmos alheios a ela. Nem tão pouco conscientes de sua totalidade.
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