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Ciência e informação 

Jornalismo Científico, por Fabíola Oliveira (Editora Contexto; 2002; 96 páginas; R$ 19,90)

Caroline Ferraz 

Nos últimos vinte anos, o jornalismo científico teve significativo avanço no Brasil. Esse avanço refletiu diretamente nos jornalistas dando uma nova maneira de encarar a ciência como "colaboração intelectual". Fabíola de Oliveira em Jornalismo Científico (2002), destaca posições a respeito da abordagem da Ciência e Tecnologia (C&T) no Brasil desde 1998, ano em que percebeu a "total inexistência" de bibliografia brasileira nesta área. Contraste gritante entre os Estados Unidos, que possui vasta leitura sobre jornalismo científico. 

A partir dessa problemática surgiu a idéia do livro. A primeira questão foi: "Por que Jornalismo Científico e por que divulgar a ciência?" A resposta a tal questão é simples. A comunidade tem a necessidade de ter acesso a informações científicas que podem afetar direta, ou indiretamente, suas vidas nas questões econômicas, políticas e sociais. O jornalista, então, cumpre o papel de ter uma visão crítica e interpretativa da ciência. 

"O jornalismo científico de qualidade deve demonstrar que fazer C&T é, acima de tudo, atividade estritamente humana, com implicações diretas nas atividades sócio-econômicas e políticas de um país. Portanto, do mais alto interesse para o jornalista e para a sociedade", esclarece Fabíola Oliveira.

A Ciência e a Tecnologia a cada ano se mostram mais avançadas, porém, os brasileiros não estão a par de todos os acontecimentos científicos. As atividades da C&T no Brasil são financiadas, em sua maioria, com o dinheiro público. Porém, o acesso a essas atividades não se torna público, e sim, restrito a um pequeno número de pessoas. A incapacidade de poder opinar é uma conseqüência fatal, que chega a afetar a vida individual, comunitária, e até mesmo, do País como um todo.

Em um País democrático, como é o Brasil, as decisões quanto a programas científicos, passam por um "crivo do Congresso Nacional" no qual a população tem o direito de interferir. Mas para tanto, existe a necessidade de estar informado. A jornalista termina afirmando: "O jornalismo científico pode entrar em cena como agente facilitador na construção da cidadania".