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Jornalismo
em revistas
Dayse Bezerra
Jornalismo
de Revista, por Maria Scalzo (Editora Contexto; 112 páginas; R$ 24,90.)
Impressos dentro de um único impresso. Na essência, este é o livro da jornalista Marília Scalzo,
Jornalismo de Revistas (2004), da Editora Contexto. No livro, a jornalista conta tudo o que as revistas não contaram em seus bastidores: a arte de escrever jornalismo em revistas e os segredos de como a linguagem visual e textual dos periódicos atraem os leitores.
De escrever a jornalista Marília Scalzo parece entender bastante. Desde 1992 é diretora do Curso Abril de Jornalismo (destinado a estudantes de final de curso e recém-formados em Jornalismo), com passagem em vários veículos impressos como
Folha de S.Paulo, Playboy, Capricho, Veja São Paulo, Cláudia e A&D,
Marília também contribuiu para o desenvolvimento editorial de Cláudia
Cozinha.
A obra Jornalismo de Revista faz parte da coleção Comunicação, que reúne outras bibliografias relacionadas ao tema, para estudos na produção de periódicos especializados. O livro é específico quanto ao gênero revistas, tanto nacionais como internacionais.
Com nove capítulos, o livro mostra porque a revista ganhou espaço na comunicação editorial. Segundo a autora, é quase uma relação passional dos leitores para com suas revistas favoritas. São vínculos e laços de empatia bem visíveis, principalmente, quando o leitor se vê com o periódico debaixo do braço, o acompanhando pra todos os lados.
Mas, Marília aborda os problemas financeiros das publicações não conseguiram sobreviver no mercado editorial. Ela cita como exemplo, as revistas
Realidade e Life, que mesmo com grande número de tiragem não obtiveram resultados positivos na preferência pela leitura dos periódicos.
O livro faz um histórico do início do impresso nas revistas até os dias atuais. Marília conta com detalhes cada passo desta mídia. Não fica de fora da obra o histórico da primeira revista, fundada em 1663 na Alemanha,
Erbauliche Monaths Unterredungen. O periódico tinha o formato de livro, mas recebeu o título de revista por contar com artigos de cunho teológico, possuir público específico e periodicidade regular.
A história das revistas continua na ordem seqüencial dos anos. Curiosidades de como surgiu o termo magazine para revistas e idéias que foram adotadas em outros periódicos, como notas, anedotas e poesias. Um exemplo foi a revista francesa
Le Mercure Galant.
As revistas passaram por transformações. E com a chegada da tecnologia ganharam um novo conceito. Se antes os textos vendiam o produto midiático, com o aperfeiçoamento das artes gráficas as imagens passaram a dar mais informações e lucros. Uma boa imagem vale mais do que uma boa descrição.
A tiragem teve crescimento, a qualidade da impressão melhorou e como efeito uma maior quantidade de anunciantes apareceu. Com a redução do custo de produção, o preço do exemplar diminuiu e o acesso à leitura foi maior. Com os anos, surgiram as revistas temáticas de teor científico, cultura, lazer, informação, jornalismo, para públicos específicos como homens, mulheres, crianças. São muitas, algumas conhecidas, outras até difíceis de se falar, mas com o mesmo objetivo de levar informação.
Marília relata curiosidades das revistas que mais fizeram sucesso no passado, no presente, no Brasil e no Mundo. Quem se destaca é a revista
Reader's Digest. De 1940 a 1950 distribuiu 50 milhões de exemplares no mundo. Hoje,
Seleções é editada em 19 idiomas.
Jornalismo de Revistas também fala de O Cruzeiro, um fenômeno editorial do passado. Idealizada pelo jornalista Assis Chateaubriand, a revista estabeleceu uma nova linguagem na Imprensa Nacional por meio da publicação de grandes reportagens, através do fotojornalismo. No apogeu, chegou a vender na década de 50, a marca de 700 mil exemplares semanais.
No livro, a escritora apresenta a importância do jornalista em mídias impressas, oferecendo uma espécie de manual com princípios básicos sobre responsabilidade social, credibilidade e ética. Marília salienta a importância da apuração e da quantidade de informações qualificadas para produzir um bom texto que venda a idéia, a notícia ou a ideologia. "Não adianta querer ficar bordando um texto vazio de informação. Jornalismo não é literatura", confirma a autora na obra.
Jornalismo de Revistas é um livro de histórias jornalísticas, com tudo que a profissão pede e tem por direito publicar.
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