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Escola
de focas
Carolina Riguengo
Tudo começou em março de 1968, quando a editora Abril sentiu uma certa "necessidade" de lapidar os recém-formados dos cursos de jornalismo do País. De olho nos novos talentos,
resolveram dar uma chance aos "focas". A função do curso era fazer com que aprendessem a fazer uma revista semanal. Cinqüenta jornalistas ganharam cargos pela editora Abril e formaram o grupo que iria dirigir a "última bolacha do pacote".
Quase vinte anos depois, Alberto Dines, que hoje é editor e apresentador do
Observatório da Imprensa, renovou o curso que, até então, não era uma das prioridades dentro da
Abril e o batizou como: Curso Abril de Jornalismo. Sua duração, naquela época, era de quinze dias e quando saiam do curso, eram encaminhados para a central de atendimento aos leitores das revistas da editora.
Marília Scalzo, diretora de Educação Editorial do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas do Grupo Abril, assumiu o curso em 1992 e
o ampliou. A partir dali, os recém-formados poderiam procurar, além de especialização em texto de revista, os cursos de designers e fotografia.
Em 1993, os alunos produziram uma revista laboratório chamada Revista e
Percurso, que não saiu das gráficas. Não satisfeitos com os resultados das revistas anteriores, surgiu a
Revista Plug, a qual os alunos produziam em grupos desde pautas até o fechamento. Depois de pronta, foi distribuída entre os diretores da empresa, para órgãos de comunicação e algumas universidades.
Em 2001, o curso começou a envolver a internet. Trouxeram profissionais da área de texto, foto e arte para ensinar na produção. Deste aprendizado, surgiram a
Vejinha Online, Manequim Noivas e Abril.com.
Agora, a duração do curso é de quatro semanas. Nesse período os alunos assistem palestras, conversam com os profissionais da área, participam de
workshops e são monitorados o tempo todo pela equipe da redação. Hamilton dos Santos, atual diretor do curso, acredita que o aluno pode ser um candidato ao curso se tem boa formação acadêmica, formação humanística, boa bagagem cultural e domínio da matemática. Em todos esses anos cerca de mil alunos passaram pelo curso.
Para quem quer trabalhar na Abril, este é o único caminho, já que o curso serve para quem tem interesse exclusivamente em trabalhar com a Editora Abril. Marília alerta que os diretores da Abril estão preocupados com o desequilíbrio da formação acadêmica com as exigências do mercado e da profissão, por isso, eles querem dentro da empresa profissionais aos seus moldes, verdadeiras "cobras criadas".


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