|
|
|
editorial |
especial | debate |
imprensa
em foco|
links |
mídia eletrônica |
cultura | perfil |
olho vivo | canal do leitor
| e-mail | expediente
| nostalgia
| opinião
anteriores | próximas edições | inicial
Na
mira da mídia
Thiago de Melo
Remoto
Controle, de Veet Vivarta (Editora Cortez; 2004; 329 páginas; R$
33,00)
"Até a pior produção televisiva pode se transformar em um programa educativo, caso se tenha uma medição inteligente? De que maneira a escola deveria estruturar-se para estabelecer um dialogo crítico e criativo com a mídia televisiva? Até que ponto é viável, ao mesmo tempo, entreter e educar?"
O livro Remoto Controle (2004) propõe, se não for possível
responder as perguntas acima, ao menos analisá-las de forma minuciosa e detalhada.
No
Brasil e em outros países latino-americanos, muito mais do que na Europa, a televisão introduziu os jovens diretamente na era virtual. Sem contar com o auxílio prévio
de cultura letrada capaz de estabelecer pontes com a tradição da cultura humanística e com parte significativa do saber contido nos livros.
A passagem da busca reflexiva, por meio da leitura de livros, para o recebimento formatado da informação transmitida pela televisão tem diminuído drasticamente o poder crítico e de concentração do adolescente. A padronização da linguagem pela televisão limita a capacidade de pensar.
Adolescentes de vários cantos do mundo, passam mais tempo ligados na TV do que em qualquer outra atividade, incluindo os deveres de casa ou o convívio com a família. As respostas que justificam este comportamento são chocantes, levando-se em consideração os futuros resultados. No Brasil, o estudo A Voz dos
Adolescentes, publicado em 2002 pelo Unicef revela que 31% dos adolescentes assistem TV por falta do que fazer; 29% para ter informação; 23% para se divertir e 4% para não pensar nos problemas.
A quantidade de tempo que os adolescentes brasileiros dedicam à televisão já seria, por si só, suficiente para justificar a importância de um debate acerca da qualidade da programação voltada para o público jovem. No entanto, detectar os efeitos provocados pela televisão na vida de crianças e adolescentes, permanece sendo uma das questões mais desafiadoras para todos os tipos de vertentes dedicadas a estudar o assunto.
A TV fornece pacotes de informação sobre prioridades e irrelevâncias, causas e conseqüências, padrões estéticos, morais ou profissionais, questões de gênero e de nacionalidade, cultura política, etc. Essas informações podem ser corretas ou não, intencionais ou não, verídicas ou ficcionais, insistentes ou passageiras, mas estão ali, sendo servidas igualmente a espectadores atentos ou desatentos, críticos ou apáticos, curiosos ou acomodados.
O potencial que existe nos meios midiáticos precisam ser explorados e utilizados a favor da educação. A Educomunicação, ou Educação para a Mídia, tem se destacado no trabalho de "aproveitamento" dos meios de comunicação. As duas principais vertentes que
surgem deste novo método de ensino são a leitura crítica (análise) e a apropriação dos meios (produção).
Neste jogo de influências e informações, formatações e formações, estão em jogo importantes questões relacionadas com a educação, a cultura, a participação democrática e os direitos humanos. A criação de programas televisivos com capacidade de, a um só tempo, entreter e provocar reflexão, divertir e ajudar a dar instrumentos de resolução de conflitos de maneira dialogada e negociada para os jovens, não é tarefa fácil.
Oferecer aos jovens telespectadores, informações - sob ângulos diferentes - a respeito de contextos internacionais, nacionais, regionais e locais, ajudando-os tanto a refletir quanto a respeitar o outro, com conceitos e opiniões diversas das suas, apresenta-se como um trabalho desafiador.
Por emplacar altas audiências de uma maneira intensiva - a TV tem sua responsabilidade social multiplicada - e se torna uma das principais referencias em termos de indução de valores, comportamentos e mentalidades. Um poderoso instrumento de socialização.
Até a pior produção televisiva pode se transformar em um programa educativo, caso se tenha uma medição inteligente? De que maneira a escola deveria estruturar-se para estabelecer um diálogo crítico e criativo com a mídia televisiva? Até que ponto é viável, ao mesmo tempo, entreter e educar? O controle está nas mãos, basta saber usar.
|
|