editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil 
olho vivocanal do leitor | e-mail | expedientenostalgia | opinião

anteriores
| próximas edições |
inicial


O drama do "pó"

Márcio Tonetti 

Quem conhece o poeta, músico e ator de cinema americano, Jim Carroll, pode não fazer idéia de seu passado obscuro. Na adolescência, foi consumidor inveterado de drogas e, logo cedo, se deixou levar pelo sexo ilícito. Desmoralizado pelo vício, viu seu talento no basquetebol se esvair. Mas, apesar de se envolver no submundo das drogas, Carroll revelou o senso de poeta já aos 12 anos. A experiência amarga e ao mesmo tempo emocionante que viveu entre os 13 e 16 anos é retratada no 'diário' secreto do adolescente de forma romântica e debochada. Lançado em 1993, O Diário de um Adolescente teve grande aceitação pelos jovens nova-iorquinos. 

Porém, a história não ficou apenas sob o poder das páginas impressas. A trama foi parar nas telas de cinema. Diário de um Adolescente (1995) rendeu a Scott Kalvert os méritos de melhor filme sobre a autobiografia de Jim Carroll. O longa-metragem de Kalvert estarrece pelas imagens. Estrelado por Leonardo DiCaprio, o filme revela com dramaticidade a experiência de Carroll. 

A narrativa acontece em 1970 nos guetos de Nova York, onde os casos de sexo, rock'n roll e uso de drogas rolam à solta. Di Caprio deixa de ser o "menino bonzinho" de Hollywood e introjeta a rebeldia do personagem, Jim, que retrata num diário todo o êxtase e agonia experimentados por ele no sexo - recém-descoberto - bem como no consumo de heroína. Pelo comportamento irreverente, o personagem é expulso juntamente com seu amigo Mickey (Mark Wahlberg), do colégio católico onde estudam. Para piorar a situação, o efeito inesperado de uma dose de entorpecente químico acaba tirando o talentoso rapaz do invicto time de basquete da escola. 

Vítima da dependência psíquica, Jim e seus três amigos - Pedro (James Madio), Mickey (Mark Wahlberg) e Neutron (Patrick Mc Gaw), o mais consciente da turma - topam qualquer coisa para conseguir drogas. A essa altura, as cenas de relações sexuais, sobretudo as com parceiros do mesmo sexo, são freqüentes no filme. 

Abandonado pela mãe e em estado calamitoso, Jim sai à procura de dinheiro. Sem sucesso e clemente pela droga, submete-se forçadamente a ajuda oferecida por Reggie (Hernie Hudson), um ex-viciado. Com a consciência recobrada, decide ocupar os palcos e aconselhar a "molecada" dos prejuízos que as substâncias químicas podem trazer. Dois de seus amigos, contudo, não têm o mesmo destino: Mickey é condenado por assassinato e Pedro continua no caminho das "sombras" -com exceção de Neutron, que abandona o vício e segue carreira no basquetebol. 

Sem proselitismo

Diário de um Adolescente chama a atenção do público-alvo não só pelo espetáculo da dramaticidade que apresenta. A abordagem do filme é feita sob uma perspectiva absolutamente adolescente e não proselitista. Ausente de "sermões" e com o mesmo ponto de vista da atual geração a trama mostra apenas os fatos, sob a ótica de quem os viveu e no momento em que a situação foi experimentada. 

Conforme publicado no Jornal do Brasil e citado no próprio making off do filme, "denso, sincero e envolvente" seriam boas definições para o filme de Scott Kalvert. Para adolescentes que estão pretendendo se envolver com drogas, a película pode ser um incentivo para não entrarem nesse meio. Além do mais, de acordo com o jornal Diário Popular, a abordagem sensacionalista do filme evita que o público jovem olhe com fascínio para o universo retratado. 

Por outro lado, há quem diga que O Diário de um Adolescente têm o seu lado negativo e que inspira em jovens e adolescentes o desejo de cometerem delitos impensáveis dentro das próprias escolas. E há razões para isto. Num de seus transes, Jim incorpora um desejo utópico de vingança pelas "chibatadas" da Igreja aplicada sobre ele. Em virtude disso, se por um lado, a trama possibilita a aproximação do público jovem pela ausência de proselitismo, de outro pode promover um afastamento da formação religiosa. 

Mas os produtores detêm outras intenções. Conquanto pareça estranha a maneira de retratar o submundo das drogas, o filme não deixa de injetar uma boa dose de realidade no telespectador. A trama que virou película se diz fiel ao livro de Jim Carroll. Resta ao público adolescente não fechar os olhos diante das cenas e se ligar na seriedade da mensagem.   

 

Ficha Técnica

Título Original: The Basketball Diaries
Gênero:
 Drama
Tempo de Duração:
101 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1995
Estúdio: New Line Cinema / Island Pictures
Distribuição: New Line Cinema
Direção: Scott Kalvert
Roteiro: Bryan Goluboff, baseado em livro de Jim Carroll
Produção: Liz Heller e John Bard Manulis
Música: Graeme Revell
Direção de Fotografia: David Phillips
Desenho de Produção: Christopher Nowak
Figurino: David C. Robinson
Edição: Dana Congdon


Elenco

Leonardo DiCaprio (Jim Carroll)
Lorraine Bracco (Mãe de Jim)
James Madio (Pedro)
Patrick McGaw (Nêutron)
Mark Wahlberg (Mickey)
Roy Cooper (Padre McNulty)
Bruno Kirby (Swifty)
Jimmy Papiris (Iggy)
Nick Gaetani (Árbitro)
Alexander Gabeman (Bobo)
Ben Jorgensen (Tommy)
Juliette Lewis (Diane Moody)
Michael Imperioli (Bobby)
Ernie Hudson (Reggie)
Marilyn Sokol