editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil 
olho vivocanal do leitor | e-mail | expedientenostalgia |

anteriores
| próximas edições |
inicial


E viva a mentira!

Joelmir Melo 

"Um filme sobre verdade, justiça e outros efeitos especiais". O presidente dos Estados Unidos é envolvido em um escândalo de abuso sexual dentro da Casa Branca. O pior de tudo é que o fato acontece semanas antes do "dia D", data em que os cidadãos norte-americanos vão às urnas para eleger, ou reeleger, o presidente. Antes do escândalo, o então presidente liderava todas as pesquisas e era tido como líder do país para os próximos quatro anos.

Diante da situação, o misterioso Conrad Brean (Robert De Niro) é convidado para resolver a situação e garantir ao presidente o próximo mandato. O Sr. Brean, frio e seguro, tem a idéia de "criar" uma guerra. A explicação: "Com a nova notícia, a imprensa criaria ícones que seriam imediatamente associados à imagem do presidente, além de distanciar da mídia o escândalo sexual na Casa Branca". O novo funcionário do presidente convida Stanley Motss (Dustin Hoffman), um famoso produtor de Hollywood, para cuidar das imagens, música e toda parte de publicidade necessária para "vender" aos jornalistas uma nova imagem do presidente.

Depois de alguns dias em "tempos de guerra" com a Albânia, um país fora do cenário político mundial, a CIA descobre que o suposto conflito entre os dois países não passa de uma farsa. Então, um telejornal anuncia que o "conflito" com a Albânia foi apaziguado. Brean imediatamente diz que "a guerra acabou". A equipe de produção contesta dizendo que não, mas sua experiência não lhe deixa falhar e argumenta: "Claro, é verdade, passou na televisão". 

No entanto, Brean não desiste. Ele cria um herói. Um soldado que não retornou da guerra e que se encontra em cativeiro inimigo. Mais uma mentira que dá certo.

O longa-metragem gravado em apenas 29 dias retrata, em uma clara hipérbole, dois aspectos importantes e semelhantes à atual crise política brasileira. O primeiro aspecto é óbvio e mais abrangente, mas não se pode deixar de observá-lo. A responsabilidade que os veículos de comunicação têm – e não podem fugir dela. Todo veículo que comunica, leva também cultura. A informação também gera cultura. Por isso, os meios de comunicação possuem grande responsabilidade social. 

Joseph Goebbels, ministro das comunicações do partido nazista, dizia que "uma mentira dita 100 vezes se torna uma verdade". Assim, fica claro que uma mentira, na mídia atual, é uma verdade. Um exemplo vivo disso foi o caso Escola Base, de São Paulo, quando os professores foram acusados e açoitados, sem provas, pela imprensa. Por fim, eram inocentes.

A revista Veja publicou que, em discurso no Estado de Goiás, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares, chorou e disse que, por trás de toda essa compra de votos e malas, ou "cuecas" de dinheiro, existe um movimento de direita que almeja o impeachment do presidente. E citou nomes. "A revista Veja, o Estadão, e a Folha de São Paulo". Mentira? Vai saber! 

O segundo aspecto, menor, porém, não menos importante, trata das "informações oficiais" ou do desvio de foco. Pode-se dizer que o governo tentou com os casos Daslu e Schincariol, ou até antes, com a intervenção no Rio, e agora com as viagens do presidente no interior do País. Até agora nada tirou e nem vai tirar o foco do escândalo. Mas pode-se considerar uma boa tentativa.

Vender-se é covardia, além de ser fácil e cômodo. Vender a mente de milhões de pessoas é imoral. Nunca o País passou por tamanha crise de corrupção. Na verdade, essa roubalheira sempre existiu, mas só agora caiu nos braços da mídia. Se for isso, por quê? Será por mera coincidência? 

 

Ficha Técnica

Título Original: Wag the Dog
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1997
Site Oficial:
www.wag-the-dog.com
Estúdio: New Line Cinema / Tribeca Productions / Baltimore Pictures / Punch Productions
Distribuição: New Line Cinema
Direção: 
Barry Levinson
Roteiro: Hilary Henkin e David Mamet, baseado em livro de Larry Beinhart
Produção: Robert De Niro, Barry Levinson e Jane Rosenthal
Música: Mark Knoffler
Direção de Fotografia: Robert Richardson
Desenho de Produção: Wynn Thomas
Direção de Arte: Mark Worthington
Figurino: Rita Ryack
Edição: Stu Linder



Elenco

Dustin Hoffman (Stanley Motss)
Robert De Niro (Conrad "Connie" Bean)
Anne Heche (Winifred Ames)
Denis Leary (Fad King)
Willie Nelson (Johnny Dean)
Andrea Martin (Liz Butsky)
Kirsten Dunst (Tracy Lime)
William H. Macy (Sr. Young)
John Michael Higgins (John Levy)
Suzie Plakson (Grace)
Woody Harrelson (Sargento William Schumann)
Michael Belson (Presidente)
Suzanne Cryer (Amy Cain)
David Koechner (Diretor)
James Belushi (James Belushi)
Jay Leno (Jay Leno)
Craig T. Nelson (Senador John Neal)