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Canalhas soltos

Lísye Rizziolli

Jornalismo Canalha - a promíscua relação entre a mídia e o poder, de José Arbex Jr. ( Casa Amarela; 2003; 193 páginas; R$21,50)

De forma esquerdista José Arbex Jr. se refere à profissão sem ética, como canalha. Jornalistas do mundo inteiro, movimentados por um tipo de jornalismo sensacionalista, estão cada vez mais aceitando o papel de serem "escribas do poder", deixando assim uma política dominante os conduzir. E essa política "suja" e "malcriada" se encontra em um lugar só, segundo o autor. Os Estados Unidos.

Sendo um potente centro econômico do mundo, passam a usufruir um poder que não têm, ou querem ter. Um luxo contido. E quem está por trás de tudo isso? Sim, a poderosa mídia. Por isso o intertítulo do livro: "A promíscua relação entre a mídia e o poder".

Segundo o crítico da mídia, Edward Herman, "a mídia estadunidense tem feito prodígios na tarefa de construir uma versão aceitável à 'guerra ao terror', ao descrever o governo afegão de Hamid Karzai, como 'quase democrático' e representativo, subestimado a morte e a devastação provocadas pela máquina de mortifício estadunidense, (...) e preparou o cenário para mais violência. A mídia cumpriu um papel muito eficaz ao minimizar as evidências de mortifício e tortura (...)". Críticos, líderes, governadores e cidadãos comuns lembram horrorizados de que o governo Bush está fazendo com civis iraquianos, israelenses, entre outros que estão em meio a esta "carnificina". Uma guerra sem motivo qualquer.

O problema é que se o Brasil tivesse tecnologia desde o começo, não estaria tão dependente das redes televisivas americanas. Seria o suficiente para abastecer tais mentes inteligentes do país. Mas não. Foi bem diferente. Ao se fazer uma analogia com os meios de comunicação estadunidense e o brasileiro, nota-se uma diferença muito pequena. E até na hora da "ética em ação" dá para notar que a cópia é por mero prazer. Tudo se torna uma opinião só, mesmo em emissoras diferenciadas.

O título do livro já vem matando. Jornalismo Canalha mostra a verdade nos bastidores. Tal verdade que deveria ser mostrada e entendida por todo o mundo, já que na televisão tudo é show, e jornalistas são o alvo. No decorrer dos capítulos, os assuntos ficam bem interessantes e com uma pitada de ironia. Arbex trata de coisas importantíssimas por ele pesquisado, e que talvez nunca passe em meios de comunicação como rádio ou televisão.

Tratando de ética jornalística, o livro mostra que ninguém é perfeito. Porém, negar informação é mentir para o povo. Que espera muito mais que entretenimento.

            
    

criação: lisandro staut