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Exemplo
para duas imprensas deficientes
Leilaini Holdorf
Em um país onde a imprensa ainda é relativamente livre para fazer seu trabalho, esta se mostrou bastante falha em vista dos documentários lançados nos últimos anos pelo cineasta e escritor Michael Moore. Sabe-se que, em questão de acontecimentos internacionais, os Estados Unidos sempre se preocuparam mais consigo mesmos - o que não se estende à política internacional -, provavelmente devido a sua arrogância e prepotência. Este país sempre se achou no direito de interferir na história de outros países, mas não se mostra interessado em retratar fielmente fatos que denunciam suas próprias falhas.
Nascido em Flint, no Estado de Michigan, o premiado diretor de cinema Michael Moore ataca o poder através da ironia. Autor de três documentários,
Roger e Eu, de 1989; Tiros em Columbine, de 2002; e o último,
Fahrenheit 9/11, de 2003, e do livro best-seller Stupid White Men - Uma Nação de
Idiotas, Moore mexeu com a imprensa do mundo todo, pois em situações no mínimo duvidosas, ele não hesitou em tirar satisfação direto "com quem manda".
Em grau cada vez mais polêmico, o penúltimo documentário trata do estarrecedor acontecimento de Littleton, nas cercanias de Denver, Colorado, onde dois jovens armados entraram na biblioteca da Escola Columbine e mataram doze colegas e um professor, suicidando-se em seguida. Moore apura os fatos com tanta eficiência quanto qualquer jornalista. Ele revela o fascínio dos norte-americanos por armas de fogo e sua sede por violência. Ao comparar o povo norte-americano ao canadense, japonês e europeu, relaciona a violência de seu país com o exemplo dado pelos líderes dessas nações no que se refere à justiça e garantias sociais. As investigações e descobertas são obtidas pelo próprio cineasta abordando os mais diferentes personagens, todos entrelaçados, direta ou indiretamente, à trama macabra.
Seu último documentário pode ser considerado ainda mais feroz, já que se trata de uma crítica apimentada ao presidente George Walker Bush. Tanto que o documentário foi barrado antes mesmo de ser exibido ao público norte-americano. O fato é que o cineasta tem feito um trabalho excepcional, digno do Oscar 2003 e prêmios em Cannes, como a Palma de Ouro que recebeu em 2002 e no último festival, dia 17 de maio deste ano.
Em coletiva na Inglaterra, Moore confessa que gostaria de ser mais otimista quanto às chances de melhora para os Estados Unidos, e afirma que o filme
Tiros em Columbine é um alerta para os países que ainda têm chance de mudar, mas que caminham para situação semelhante à norte-americana. Ele ainda acrescenta que os países que quiserem ter um fim violento igual ao que seu povo vive, devem "acabar com os benefícios sociais, fazer as mulheres trabalhar duro para sobreviver, tornar a vida das pessoas mais miseráveis ainda e cometer violência com os pobres".
Não é difícil relacionar toda essa descrição com o nosso País. Há tempos o Brasil se encontra em espiral descendente rumo aos caos da violência urbana. Contudo, torna-se difícil para a imprensa nacional, constantemente censurada e bastante presa aos "interesses", conseguir, por exemplo, produzir reportagens de conteúdo similar ao dos documentários de Michael Moore. Convenhamos, Moore faz um trabalho que causa vergonha à imprensa norte-americana, pois esta, com a liberdade que tem, não tem coragem, sequer competência de realizar.
Ficha Técnica
Gênero: Documentário
Tempo de duração: 120 minutos
Ano de lançamento (EUA): 2002
Site oficial: www.bowlingforcolumbine.com
Estúdio: Alliance Atlantis Communication / Dog Eat Dog Films / Salter Street Films International / United Broadcasting Inc. / VIF Babelsberger Filmproduktion GmbH & Co. Zweite KG
Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer Distributing Corporation / United Artists
Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
Produção: Charles Bishop, Jim Czarnecki, Michael Donovan, Kathleen Glynn e Michael Moore
Música: Jeff Gibbs
Fotografia: Brian Danitz e Michael McDonough
Edição: Kurt Engfehr
Elenco
Michael Moore (Michael Moore)
Denise Ames (Garota sexy com arma)
Charlton Heston (Charlton Heston)
Marilyn Manson (Marilyn Manson)
Matt Stone (Matt Stone)
Barry Galsser (Barry Galsser)
John Nichols (John Nichols)


criação: lisandro staut |
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