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O
eu-lírico na história
Katianne Jouguet
"Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. (...) Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de
viver." (Olga Benário)
Este foi um fragmento extraído da última carta de Olga ao marido Luís Carlos Prestes e à filha Anita Leocádia Prestes.
Esta carta de despedida foi a mesma que encerrou o filme brasileiro que conta a biografia
desta mulher.
O drama baseado em fatos reais, é um longa que se atém à biografia de uma revolucionária comunista. Mulher forte e convicta de suas ideologias. Alemã, e de família abastada, era judia e não suportava a dominação do nazismo e de outros regimes de governo que não faziam nada para mudar o quadro social.
Logo cedo, aos 15 anos, Olga se infiltrou em levantes
comunistas na Alemanha. E a partir deste momento, o drama de 141 minutos relata a vida da revolucionária.
Baseado no livro de Fernando de Morais, Olga (1995), e dirigido
por Jaime Monjardim, o longa-metragem não foge muito da realidade. No
entanto, Olga (2004), tanto no livro como no filme deixa de ser uma simples história baseada em fatos reais, para se tornar um melodrama ou um romance literário.
É importante se questionar até que ponto o eu-lírico pode ser aplicado num fato histórico. É evidente que na biografia de qualquer pessoa existe o relacionamento pessoal. Porém, a ênfase no romance deve ser com cautela. Como relato de parte da história,
Olga deixou a desejar na apresentação dos fatos. Há considerável passividade no contexto histórico em que a militante comunista está inserida. Como já foi dito, se relata um romance.
A mulher que afirmava, "eu luto ao lado da revolução, não de um homem", mal sabia que iria se apaixonar por um dos maiores líderes comunistas brasileiro, Luís Carlos Prestes. Era a segurança pessoal de Prestes ao Brasil, se fingindo de mulher dele. Acabou, portanto, sendo a única mulher de sua vida, lutando com ele pela insurreição comunista.
Olga preferiu ficar no Brasil com Prestes a fugir do País e se libertar. O amor pelo marido a levou à morte. Prestes foi preso e Olga, grávida de sete meses,
deportada para a Alemanha nazista. Sua filha nasceu na prisão e, quando desmamada, foi tirada de seus braços. Judia, ela foi levada para um campo de concentração nazista e morreu numa câmara de gás.
Não existe nada de errado em enfatizar a parte literária e sentimental em que foi engajado
o filme. O enredo é triste e comovente. O drama, que na maior parte é um romance, vivido pela
militante nos faz refletir sobre a realidade passada. Para quem conhece esse contexto
histórico é desnecessário se ater a minúcias dos fatos.
No entanto, a maioria brasileira desconhece a história político-social
do País. Quantos, antes de se lançar o filme, sabiam da existência de Olga? Tal película nacional foi uma tentativa de esclarecer um pouco da nossa história. O drama, porém, continua na mente da maioria dos brasileiros. Isso se deve ao fato que, o que deveria ser esclarecido, se tornou confuso. O eu-lírico ficou em primeiro plano.
Ficha Técnica
Título Original: Olga
Gênero: Drama
Tempo de duração: 141 minutos
Ano de lançamento (Brasil): 2004
Site oficial: www.olgaofilme.com.br
Estúdio: Globo Filmes, Nexus Cinema e Vídeo, Europa Filmes e Lumière
Distribuição: Lumière
Direção: Jayme Monjardim
Roteiro: Rita Buzzar, baseado em livro de Fernando Morais
Produção: Rita Buzzar
Música: Marcus Vianna
Fotografia: Ricardo della Rosa
Direção de Arte: Tiza de Oliveira
Figurino: Paulo Lois
Edição: Pedro Amorim
Elenco
Camila Morgado (Olga Benário)
Caco Ciocler (Luís Carlos Prestes)
Fernanda Montenegro (D. Leocádia Prestes)
Luís Mello (Leo Benário)
Eliane Giardini (Eugénie Benário)
Jandira Martini (Sarah)
Mariana Lima (Lígia Prestes)
Renata Jesion (Elise Ewert Sabo)
Werner Schünemann (Arthur Ewert)
Guilherme Weber (Otto Braun)
Osmar Prado (Getúlio Vargas)
Floriano Peixoto (Filinto Müller)
Murilo Rosa (Estevan)
José Dumont (Manuel)
Milena Toscano (Hannah)
Oscar Simch (Herr Fischer)
Odilon Wagner (Capitão do navio)
Eliana Guttman (Enfermeira-Chefe)
Paschoal da Conceição (Dimitri Manuilski)
Sabrina Greve (Elza Colônio)
Ranieri Gonzales (Miranda)
Raul Serrador (Rodolfo Ghioldi)
Bruno Dayrrel (Victor Barron)
Anderson Muller (Paul Gruber)
Gilles Gzwidek (Leon Julles Valee)
Maria Clara Fernandes (Carmem)
Leona Cavali (Maria)
Eduardo Semerjian (Galvão)
Telmo Fernandes (Bangu)
Helio Ribeiro (Padre Leopoldo)
Edgard Amorim (Agildo Barata)
Zé Carlos Machado (Ministro da Guerra)
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