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Ações
incomunicativas
Rômulo Gomes
Políticas
de Comunicação da Igreja Católica no Brasil, de Nivaldo Luiz Pessinatti
(Vozes; 1998; 351 páginas; R$ 43,30)
Durante a Idade Média, o monopólio intelectual e cultural realizado pela Igreja Católica foi preponderante para a evangelização - leia-se dominação - dos povos. Dada esta característica, a ascensão da instituição seria cada vez mais progressiva, não fosse o surgimento de uma nova vida cultural ocasionada por alguns movimentos, como o Renascimento, o Iluminismo e a Reforma.
Com a divulgação de novas idéias, e novos meios para tal, essa evolução modificou o pensamento coletivo e traçou coercitivamente novos rumos para os modelos de comunicação exercidos pela Igreja Católica. Logo, novas ações começaram a ser tomadas aos aspectos comunicacionais da Igreja.
Desde então, a articulação do poder religioso sobre a metodologia aplicada à comunicação começou a ser observada. Atualmente, já na "Idade Mídia", a elevada modernização dos meios de comunicação social e os vários contextos por eles abarcados colocam a comunicação catolicista numa situação não tão privilegiada como antes.
A sociedade já não está mais voltada ao teocentrismo, mas sim ao hedonismo (prazer individualista). Alcançar este público requer uma persuasão obtida somente com o uso da mídia nas suas potencialidades. Por isso a Igreja Católica tem um compromisso sério em se desenvolver nesta área.
Dentre os vários estudos já realizados sobre o assunto, Nivaldo Luiz Pessinatti oferece uma rica colaboração. O livro
Políticas de Comunicação da Igreja Católica no Brasil trata dos temas citados acima especificamente no âmbito brasileiro. Pessinatti recorre a uma extensa pesquisa, apresentando um trabalho de bom valor teleológico, com o fim de, como o autor afirma, "produzir algo útil".
A Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) teve como a primeira tese de doutorado defendida este trabalho de Pessinatti, publicado pela Editora Vozes. A cronologia utilizada compreende os anos de 1989 a 1997, que remetem à Campanha da Fraternidade sobre comunicação (1989) e a 35.ª Conferência Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também sobre o mesmo tema.
Questões ideológicas
A obra de Pessinatti tem um caráter teórico-historicista em que não são debatidas questões ideológicas da Igreja, mas "reflexões práticas em comunicação", como instrui o próprio autor. O fato de ser uma instituição consolidada por séculos não exonera o estudo comparativo das políticas comunicacionais
católicas em todas as suas fases.
A falta de centralização nas ações, ou uma reformulação consistente por parte do bispado no Brasil, são umas das causas. O autor relaciona as ocorrências com a atitude das autoridades. Parte do problema surge da falta de qualificação dos envolvidos, deficiências na atualização dos equipamentos e principalmente da postura da Igreja em não se preocupar, ou melhor, em refrear algumas ações tomadas.
O autor traça um panorama das ações da Igreja e sua justificativa na mídia. Juntamente com fontes importantes que tornam o trabalho fidedigno, o autor insere depoimentos de intelectuais, personalidades católicas e outras autoridades importantes para a Igreja neste assunto. Vale ressaltar personalidades como Paulo Evaristo Arns, Eugênio de Araújo Sales, José Maria Mayrink, entre outros.
Pessinatti dispõe ao leitor um estudo sintético e preciso das articulações da Igreja, desde o período em que há um grande apoio da mesma, até quando ela se cristaliza e permanece estática em suas inovações. Com uma leitura aguçada, o leitor percebe nas ações, interesses que não condizem com a intenção de falar aos povos, mas a si mesmo, sem atividades que valorizem o pluralismo cultural.
Em um dado momento o leitor se questiona, "por que leigos se interessariam em tomar frente no pioneirismo da Rede Vida de Televisão?"; "por que a igreja estaria interessada em recuar na decisão de abrir as portas à comunicação?"; "qual a importância do Brasil neste meio?".
Nas considerações finais, Pessinatti expõe ensejos que possibilitam uma visão esperançosa para o futuro. As elaborações não são conclusivas, pois remetem ao leitor, e às próprias autoridades eclesiásticas, uma revisão do assunto de forma prática, em que a comunicação é o meio mais eficaz de transmissão dos valores da instituição. Denota também que as considerações devem sair do campo teórico. Afinal, somente dão a idéia de que algo está sendo feito, enquanto o retrocesso é contínuo.
Para uma instituição que vende esperança, sua sobrevivência dependerá desta própria virtude. Mas simples iniciativas como a de Pessinatti podem promover profundas modificações, se analisadas com esmero.
criação: lisandro staut
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