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Meios de evangelizar

Ketielly Bahia


Como Falar Com os Meios de Comunicação da Igreja, de Arnaldo Beltrami (Vozes; 1996; 227 páginas; R$ 28,00)

É interessante analisar como as igrejas estão ligadas aos meios de comunicação e como fazem uso deles para divulgar sua fé. A Igreja Católica, por exemplo, não só usa os meios de comunicação para transmitir suas mensagens como também para informar seus fiéis daquilo que faz.

Como Falar Com os Meios de Comunicação da Igreja é um livro que tem esse objetivo. Além de explicar como é usada a comunicação na Igreja Católica, faz um levantamento geral do que o Vicariato da Comunicação (Vicom), órgão pertencente à Arquidiocese de São Paulo, fez em 90 anos de existência.

O livro é uma coletânea de dados históricos, nomes de padres, jornalistas e pessoas que contribuíram com a fundação e expansão do Vicom. O autor, Monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo, ao escrever o livro, preocupou-se em abordar detalhes da história. Informações como datas, horários, pessoas que compareceram a reuniões, assuntos discutidos e problemas, foram descritos detalhadamente.

A primeira parte do livro é uma explicação sobre o que é o Vicom. Os dados históricos começam a ser descritos em 1905, quando foi lançado o primeiro jornal arquidiocesano, A Gazeta do Povo, e vão até 1995, data da publicação do livro. Como Falar com os Meios de Comunicação da Igreja analisa os principais meios e veículos de comunicação da Cidade (modo como o vigário se refere à capital paulista) e aponta quais desses pertencem a Igreja Católica.

O livro também descreve o conteúdo de cada programa de rádio, TV e de suas revistas e livros. Traz endereços e telefones de emissoras, livrarias, editoras e todos os outros meios de comunicação ligados à Igreja Católica. Ao todo são 55 páginas só de dados informativos, o que faz dele um livro de consulta. Se analisar, seu público-alvo inclui pessoas que já têm alguma ligação com a igreja ou se interessam pelo assunto.

Globo, Folha e Estadão

Monsenhor Beltrami ainda faz menção à relação da Igreja com grandes emissoras, como a Rede Globo. No livro, a rede é citada positivamente como apoiadora do catolicismo, pois, embora não muito freqüente, transmite programações da Igreja e cita suas instituições e colégios em novelas e séries. Fala do SBT como uma relação positiva e também das dificuldades com outras emissoras, como a Rede Record, que depois de ser comprada pelo bispo Edir Macedo se negou a transmitir ou citar tudo o que se relaciona ao catolicismo.

Páginas do livro ainda foram usadas para justificar ou mostrar a opinião do Vicariato da Comunicação diante de alguns acontecimentos, como é o caso dos dois maiores jornais de São Paulo. Segundo Beltrami, um dos colunistas da Folha de S. Paulo, em março de 1995, "acabou" com a Igreja, declarando em sua coluna que "finalmente vai lançar sua emissora católica de televisão", e ainda "conseguimos transformar a Igreja Católica numa minoria, numa seita, à qual se destina um gueto televisivo". 

No caso de O Estado de S. Paulo, um de seus editoriais "distorce a palavra do papa e desconhece a missão da igreja". Os trechos foram extraídos dos jornais e no livro são seguidos de comentários do autor, numa tentativa de dar uma resposta aos jornais.

O livro é finalizado com experiências e orientações a todos aqueles que queiram contribuir com a organização. Beltrami enfatiza a importância de se usar os meios de comunicação na e para a Igreja.

                                        

criação: lisandro staut