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Divulgação
reavivadora
Lísye Rizziolli
Salas lotadas nos primeiros dias. Todos querem assistir ao espetáculo. Estão ali mulheres de meia idade com seus terços pendurados no pescoço e pequenas imagens de santos. Crianças levadas pelos pais; quase obrigadas. Idosos e jovens também se preocupam em marcar presença. Luz, câmera e ação. "Améns" e "aleluias" são proferidos no meio do filme pelos que assistem. Lágrimas e dor no momento da crucifixão. A emoção fica à flor da pele dos que assistem
Maria, Mãe do Filho de Deus.
O roteiro do filme que está levando multidões ao cinema - até agora, é campeão de bilheteria - se baseia em duas histórias. Uma delas ocorre no interior do Brasil - as filmagens ocorreram no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro. O padre Marcelo é um pároco e Giovanna Antonelli a mãe, que, aflita, espera um milagre para sua pequena filha, desenganada pelos médicos.
A mãe deixa a garotinha com o padre no dia em que vai buscar o exame médico da pequena. O padre, para animar a menina, começa contar a história de Jesus. Como a imaginação de uma criança é fértil, um bondoso vendedor de balinhas se torna Jesus, Maria é a própria mãe e o padre assume o papel de anjo Gabriel. Assim fluem as histórias, que se entrepõem de forma organizada. A via-crúcis, o restante da história, desobriga apresentações.
Com o filme Maria, Mãe do Filho de Deus e um orçamento de aproximadamente sete milhões, a Igreja aguarda o resgate de ovelhas perdidas e desviadas. O elenco, composto de artistas renomados da Rede Globo, como Luigi Baricelli (Jesus), tem o objetivo de atrair uma média de dois milhões e quinhentas mil espectadores - ou fiéis - para dentro dos cinemas.
Como o título do filme sugere, Maria ganha destaque, já que é do catolicismo a devoção a Nossa Senhora. Dom Fernando Antonio Figueiredo é o responsável pelo tom "marianista". A personagem figura em praticamente todos os momentos importantes da vida de Jesus - a saber, a crucifixão, a ressurreição de Lázaro, etc. A peculiaridade não é à toa. Como só os católicos acreditam na santidade da Virgem Maria, pode-se afirmar que a luta entre católicos e evangélicos na mídia será catalogada antes e depois de
Maria.
O desespero da Igreja Católica em divulgar suas doutrinas por meio do cinema, até então considerado diabólico, é compreensível. Até o momento, evangélicos fizeram de tudo para estar no ápice da programação midiática com propagandas incentivadoras de sua denominação; ao contrário dos católicos conservadores. Em contrapartida, muitos fiéis católicos não querem mais saber de igrejas escuras e sombrias. O tradicionalismo tornou-se um tanto quanto "brega" para eles.
Com o crescimento dos grupos evangélicos, a Igreja Católica luta para não perder seus fiéis. E por aí vão muitas contra-reformas que tentaram atrair o povo para dentro da igreja. Aparições em programas de auditório, vendas de discos que superam marcas de cantores tradicionais, programas de rádio emocionantes e agora uma estrela do cinema.
O renovador padre Marcelo trouxe uma pitada de humor e alegria, aliada à adoração; uma mistura cativante. Em
Maria, o padre confirma que pode transformar a adoração em algo realmente mais carismático.
As cadeiras do cinema estão reservadas não só àqueles que queiram embarcar em uma viagem aos tempos de Cristo. Há espaço para pessoas sedentas por uma transformação eclesiástica e que, no fundo, desejam fugir de uma cerimônia rotineira. Pelo visto, as reformas e contra-reformas continuam.
Ficha
Técnica:
Título Original: Maria - Mãe do Filho de Deus
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Brasil): 2003
Estúdio: Diler & Associados / Columbia Pictures / Globo Filmes
Distribuição: Columbia TriStar do Brasil
Direção: Moacyr Góes
Roteiro: Marta Borges, Thiego Balteiro, Moacyr Góes e Marcos Ribas de Farias, baseado em argumento de Marta Borges e Thiego Balteiro
Produção: Diler Trindade, Telmo Maia e Geraldo Silva de Carvalho
Fotografia: Flávio Zangrand
Desenho de Produção: Luiz Henrique Fonseca
Direção de Arte: Paulo Flaskman
Figurino: Maria Diaz
Edição: João Paulo Carvalho
Elenco
Giovanna Antonelli (Maria)
Padre Marcelo Rossi (Padre)
Luigi Barricelli (Jesus)
José Wilker (Pilatos)
José Dumont (Diabo)
Fábio Sabag (Anás)
Ítalo Rossi (Caifás)
Tonico Pereira (Herodes)
Ewerton de Castro (Joaquim)
Ana Beatriz Cisneiros (Joana)
André Valli (Belquior)
Leon Góes (Apóstolo Tiago)
Thiago Martins (Apóstolo João)
Paulo Vespúcio (João Batista)
Guti Fraga (Manassés)
Nilvan Santos (Apóstolo André)
Malu Galli (Maria Madalena)
Clarice Niskier (Ana)
Isío Guelman (José)
Clemente Viscaino (Apóstolo Pedro)
Cláudio Gabriel (Apóstolo Judas)
Expedito Barrera (Apóstolo Filipe)
Leonardo Senna (Apóstolo Matheus)
Régis Di Sóri (Apóstolo Simão)
Flávio Elia (Apóstolo Tiago)
Eugênio Bretas (Apóstolo Bartolomeu)
Gustavo Rodrigues (Apóstolo Tadeu)

criação: lisandro staut |
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