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A dor que dói menos

Isadora Schmitt

Diante da Dor dos Outros, de Susan Sontag (Companhia das Letras; 2003; 112 páginas; R$ 24,00)


Imagens de guerra. Por mais que os jornais e revistas estejam estampados de fotografias relacionadas ao tema, os leitores não têm como sentir o sofrimento das vítimas. Susan Sontag - ensaísta e intelectual americana - é uma estudiosa sobre o assunto.

No livro Ensaios sobre a Fotografia, publicado em 1976, a escritora havia defendido que o excesso de exposição das fotos de guerra na mídia acabam causando neutralidade sob os espectadores. Já no recém-lançado Diante da Dor dos Outros, o enfoque é dado sobre outro ângulo.

Durante o desenvolvimento da obra, a escritora faz uma reflexão sobre o sentimento de guerra e a forma como a imprensa encara o sofrimento alheio por meio das imagens. O curioso é que Susan começou a redigir a obra no início de 2001, ou seja, ela nem imaginava o que estava para acontecer no mundo. Depois dos atentados de 11 de setembro e os conflitos ocorridos no Oriente, ela pôde enriquecer o livro com uma análise mais atual das guerras contemporâneas.

No início, a escritora desenvolve um estudo que analisa as diferenças dos homens e das mulheres na maneira como vêem a guerra. Mesmo que não seja algo totalmente genérico, a mulher ainda é mais sensível e mais pacífica em relação ao tema. Na verdade, a questão não se refere só ao sexo, mas a diversos fatores que fazem com que as pessoas vejam os conflitos de maneira diferente.

Diferente do primeiro livro, em Diante da Dor dos Outros a autora não afirma mais que as imagens nos tornam totalmente passivos. Algumas delas pode até ser, mas muitas despertam sentimentos em relação aos fatos que de outra forma não os sentiríamos. A intelectual americana, que não poupa críticas ao modelo imperialista do seu país, faz com que as pessoas reflitam o quanto podem se tornar hipócritas quando se referem à dor dos outros.

                   

criação: lisandro staut