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Fotografar é fazer história

Thiago de Melo


História Crítica do Fotojornalismo Ocidental, de Jorge Pedro Souza (Grifos;  255 páginas; R$ 28,00)

A família está reunida. Papai e mamãe sentados, um ao lado do outro. A filha mais velha, em pé, ao lado do pai, o filho mais moço ao lado da mãe. Todos imóveis, como a ver um fantasma, permanecem por um longo tempo. Mas o sacrifício não será em vão. Por meio de um quadro habilmente retratado por um artista, simplesmente utilizando seu talento e que desempenha sua profissão, um pedaço da história acaba de ser imortalizado.

A cena acima descrita seria cômica, se não correspondesse com a realidade de uma das profissões que mais próxima esteve das transformações sociais, culturais, ideológicas e tecnológicas da história: o fotojornalismo. Traçar um histórico evolutivo desta profissão é suprir a necessidade de livros que venham esclarecer os primórdios da profissão.

É com esse intuito que Jorge Pedro Sousa, investigador português e professor de Jornalismo na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, escreveu o livro História Crítica do Fotojornalismo Ocidental. Este, em essência, é o resultado da ampliação e reestruturação de um dos capítulos da tese que defendeu em 1997.

Nascendo das cinzas, o fotojornalismo vai encontrar como pano de fundo, berço para seu nascimento, o calor e o horror da guerra. No entanto, esta realidade era encoberta pelas coberturas fotojornalísticas que mostravam apenas soldados sorridentes e campos de batalhas marcados por balas de canhão. Porém, limpos de cadáveres. 

Percebe-se neste momento que a tendenciosidade e a manipulação de imagens já começavam a colocar suas "asinhas" de fora. Jorge Pedro relata que, de certa forma, os pioneiros do fotojornalismo fizeram previsões acertadas, pois já ambicionavam substituírem-se aos leitores e transformar a imagem no símbolo do realismo.

Cronologicamente rigoroso, José Pedro descreve todos os momentos históricos importantes. Ele traça as invenções e inovações tanto no fotojornalismo como no fotodocumentarismo. Inclui em seu relato as três revoluções no meio fotográfico, os fotógrafos do pós-guerra, a fotografia digital entre outros assuntos de suma importância.

Temas como esses são de extrema importância, pois bem-elaborados e detalhadamente descritos pelo autor irão dar
condições ao leitor de História Crítica do Fotojornalismo Ocidental de analisar pontos positivos e negativos. Principalmente nesta era pós-moderna em que a imagem é um dos meios mais importantes de influência social, transformação cultural e incorporação ideológica. O fotojornalismo, assim, é mais do que uma profissão: um meio de modificação social.

                                        

criação: lisandro staut