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Traição
à televisão
Vanessa Candia
No auge de tantos sucessos como
Carandiru (2003) e Cidade de Deus (2002), o cinema brasileiro teve uma recaída para as velhas pornochanchadas. É essa a primeira impressão que se tem ao ver o anúncio do filme
Sexo, Amor e Traição (2003), com a estréia da direção de Jorge Fernando nas telas do cinema.
O filme nada mais é uma comédia romântica "escrachadamente" brasileira. Trata-se de uma adaptação do filme mexicano
Sexo, Pudor y Lagrimas. Pode ser considerado um Friends latino.
A história envolve sete pessoas bem sucedidas, mas insatisfeitas amorosamente. Um dia se encontram e resolvem suprir suas necessidades. Aí começa a confusão. O curioso é que filme não é tão insinuante quanto sugere o título. Fugindo à regra das costumeiras cenas eróticas, contém somente uma cena mais "caliente". Esta que por coincidência aparece a nudez do galã, Fábio Assunção. Mas nada muito diferente do que é visto diariamente na TV. A começar pelo elenco: Malu Mader, Caco Ciocler, Alessandra Negrini, Murilo Benício, Heloísa Perissé, Marcelo Antony e Fábio Assunção.
Apesar de ser um filme divertido - apropriado para férias - é o enredo típico para ser passado em especiais globais de fim-de-ano. O que parece é que a Globo aproveitou a boa maré em que o cinema nacional se encontra, para engrenar na telona. De certa maneira, funcionou.
No entanto, uma adaptação merece destaque. Mais de dois milhões de pessoas foram ao cinema para assistir às aventuras de João Grilo e Chico.
O Auto da Compadecida, quando adaptado para a telona, rendeu para Guel Arraes quatro prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil.
Caramuru - Invenção do Brasil (2001) também de Guel Arraes, seguiu a mesma linha do
anterior, não obtendo a mesma bilheteria, mas agradando ao público.
Mas o ano de 2003 foi realmente a invasão da telinha na telona. Outros seriados e programas semanais, como
Os Normais (2003) e Casseta & Planeta - A Taça do Mundo é Nossa (2003), aumentaram as opções de filmes brasileiros para a diversão do público durante as férias. Assim como
Sexo, Amor e Traição, foram roteiros adaptados para o cinema, mas nada que surpreendesse muito. Mas valendo pela diversão.
Para quem gostava do programa, assistir ao filme Os Normais realmente valeu a pena. O diretor José Alvarenga Jr, não deixou que o humor louco e desvairado de Rui e Vani caíssem no ridículo.
Já o filme Casseta & Planeta - A Taça do Mundo é Nossa, dirigido por Lula Buarque de Holanda, tenta desvendar o desaparecimento da taça Jules Rimet, que foi escondida pelos militares durante a ditadura. Um fato curioso sobre este filme foi o orçamento de cinco milhões de reais. Uma quantia alta para os padrões "brasilianos". Como não poderia ser diferente, o filme, assim como o programa, é uma babaquice do início ao fim (palavras do site oficial).
No entanto, mesmo que os filmes brasileiros estejam se destacando, é arriscado tentar competir transformando o que fazemos de melhor - séries e novelas - com o que nossos "queridinhos
friends" fazem de melhor.
Ficha Técnica
Título Original: Sexo, Amor e Traição
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Brasil): 2004
Direção: Jorge Fernando
Roteiro: Emanuel Jacobina e Renê Belmonte
Produção: Total Entertainment, Iafa Britz, Marc Bechar, Marcos Didonet, Vilma Lustosa, Walkiria Barbosa e Daniel Filho
Produção Executiva: Caique Martins Ferreira
Música: Mú Carvalho
Fotografia: José Tadeu Ribeiro
Direção de Arte: Marcos Flaksman
Figurino: Marília Carneiro
Edição: Felipe Lacerda
Elenco
Malu Mader (Ana)
Murilo Benício (Carlos)
Fábio Assunção (Tomás)
Alessandra Negrini (Andréa)
Caco Ciocler (Miguel)
Heloisa Périssé (Cláudia)
Marcello Antony (Nestor)
Betty Faria (Yara)

criação: lisandro staut |
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