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Utopia profissional

Dayse Bezerra

Pensando nesta situação, a jornalista Cristiane Rangel, elaborou uma cartilha, Saúde, Jornalista! contendo dicas de como evitar doenças provocadas pelo estresse da profissão. No livro, profissionais especializados mostram que algumas doenças poderiam ser evitadas. No entanto, muitos não sabem que, por direito, todo funcionário pode exigir mudanças para ter melhores condições de trabalho. Mas se fosse cobrar este direito, o jornalista - com certeza - ganharia novas condições de trabalho... em outra empresa.

Considerada uma das profissões mais estressantes do mundo, muitos jornalistas já fazem do estresse o inimigo número um da saúde. Segundo Rangel, existem dois tipos de estresse que estão presentes na vida dos jornalistas. O positivo provoca uma dose suportável de ansiedade e o negativo faz com que a pessoa ultrapasse seu limite físico e mental. 

Um jornalista, na maioria, sempre tem alguma doença provocada pelo estresse. As mais comuns são esquizofrenia, neurose, úlcera, enfarte, problemas de tireóide, psoríase, pressão alta, alergias e doenças respiratórias. Tendo que conviver com longas jornadas de trabalho, as pressões do fechamento, exercer várias funções na redação, a sobrecarga mental, os problemas particulares e a precariedade do ambiente de trabalho fragilizam a saúde deste profissional. 

Se o cansaço e o esgotamento do trabalho comprometem o rendimento do trabalho, só então é preciso procurar um médico. É assim que agem. 

Algumas funções do corpo são afetadas. O sono, com o passar do tempo, vira insônia. Existem aqueles que bebem para tentar tranqüilizar, mas acabam se tornando dependentes. Outros tranqüilizantes e drogas usadas como válvulas de escapes pioraram o quadro do jornalista, que já é um estressado em potencial.

Pra quem não conhece a alimentação de um jornalista esta é composta por lanches gordurosos, fast-food, refrigerantes e muito cafezinho. Tornando-se propensos causadores de problemas estomacais como gastrites e úlceras. 

A LER também tem como alvos perfeitos os jornalistas. Os que mais sofrem desse mal são os cinegrafistas e fotógrafos que carregam equipamentos pesados. Nas redações, os repórteres e editores que passam horas em frente ao computador, sentados na mesma posição, adquirem problemas como tenossinovite, tendinite, bursite, miosite e tantos outros "ites". 

Mas se pararmos para refletir, ambos têm sua parcela de culpa. A empresa, porque não busca adequar condições favoráveis de trabalho e segurança aos funcionários, e os funcionários, porque se acostumam às péssimas condições oferecidas por medo de perder o emprego.

Segundo a Legislação Trabalhista Brasileira, Portaria 3.751 de 23 de novembro de 1990, o jornalista deve trabalhar sem correr riscos de contrair doenças causadas do trabalho. O intrigante é que a função do jornalista é denunciar quando os direitos da sociedade não estão sendo cumpridos. Mas quando o direito a ser cumprido é do jornalista, nada é relatado. 

Já que muitos empresários avaliam a capacidade de um jornalista pelo número de matérias produzidas, os jornalistas também deveriam avaliar sua saúde buscando melhores condições profissionais valorizando sua integridade física.

Se juntos patrões e funcionários contribuírem para melhorias nas condições do ambiente da empresa e prevenção de doenças que prejudicam o desempenho profissional, o benefício será mútuo. Mas, isso sim, é uma utopia. 

                   

criação: lisandro staut