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A incorreta Marilene

Ruth Pimentel

Jornalisticamente Incorreto, de Marilene Felinto (Record; 363 páginas; R$ 28,00).

Como uma felina, Marilene Felinto encara sua profissão. Formada em Letras, ela consegue prender a atenção do leitor com seu jeito irreverente de encarar o jornalismo. Mas será que o seu estilo é mesmo jornalístico? Provavelmente não. Em muitos casos, ela apenas mostra de uma forma diferente um fato que demonstra mais uma tendência da literatura brasileira.

No seu livro em destaque, Jornalisticamente Incorreto, uma coletânea de artigos publicados entre 1997 e 2000 na Folha de S. Paulo. Logo no prefácio, Marilene começa com sua descrição peculiar do que é ser um jornalista ao salientar a comparação de que era "uma espécie de endurecimento" em relação ao que pensava do mundo da literatura e poesia e também quanto à sensibilidade feminina. Em cada um de seus capítulos, a autora descreve com consciente teor de rebeldia, fatos corriqueiros, mas com peso ideológico bem-acentuado. 

Com voz e entonação diferenciada, Marilene não se prende à literatura, poesia, reportagem ou qualquer gênero, mas faz o que muitos denominam de "agressão ao jornalismo". Noutras palavras, ousa. 

Autêntica poderia ser a maneira de exprimir quem realmente Marilene é. Mas, na visão da maioria de seus "colegas" de profissão, é vista como bizarra, por ser cada vez mais brilhante em suas reflexões do cotidiano.

Um apanhado de crônicas reflexivas? Textos para reflexão? Crítica ao governo?... Quais dessas formas expressariam o que realmente Marilene quer dizer em seu Jornalisticamente Incorreto? Não importa. Interrogações, argumentos inovadores sobre fatos comumente aceitos com facilidade, valores significativos; esses termos exprimem o universo da incorreta Marilene.

Chega de tanta crítica! O que não falta é potência e competência de Marilene a cada texto redigido e material editado, para ganhar o leitor. Para estes, a questão é bem polêmica. Enquanto para uns os textos causam aversão, para outros o estilo é tão atraente que não conseguem se desligar em nenhum momento da leitura e esperam cada vez mais novas redações que reflitam no ocorrido do dia-a-dia.

Polêmica e originalidade são os recursos que seguram a atenção do leitor, e que fazem autoras como Marilene Felinto. Lamentável é que, às vezes, as irônicas e ousadas palavras redigidas causem frisson no patronato.


        
           

criação: lisandro staut