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Mulheres no poder 

Fabiana Siqueira 

Que as feministas não me apedrejem, nem os machistas me tenham como adepta. Sou militante apenas do equilíbrio. Acredito que o problema de mulheres no alto-escalão da imprensa seja o mesmo de mulheres no mercado de trabalho como um todo. Por favor, não pare a leitura por aqui ou estarei contribuindo para o aumento do desemprego no Brasil.

Que as mulheres tenham seu espaço, que sejam reconhecidas, que deixem de ser vistas como eletrodomésticos ou vaquinhas de presépio, progresso. Que sejam consultadas, valorizadas, premiadas e bem-remuneradas, evolução social. Mas que para isso seja necessária uma reestruturação da sociedade incluindo a mudança no conceito de família, a desestabilização de valores e o caos por tempo indeterminado, inaceitável.

Para Marx e Engels, a igualdade feminina no mercado de trabalho é mais uma das trágicas conseqüências do capitalismo. Elas foram empurradas para as fábricas, atendendo a necessidade burguesa de mão-de-obra acessível e pouco dispendiosa. Talvez esta seja uma explicação apropriada para o fato de que muitas mulheres desempenham papéis iguais aos dos homens, porém continuam ganhando menos por isso. São consideradas apenas como peças fundamentais no processo de geração de lucros, mas não como geradoras propriamente ditas.

Dentro do jornalismo, a questão se relaciona com parâmetros de qualidade. Uma mulher selecionada para um cargo significativo neste meio nem sempre é escolhida pelo talento ou competência. Beleza e disponibilidade contam muito, embora não seja assim na totalidade dos casos. 

Outro dia, li uma entrevista com uma jornalista de destaque, que tributava aos céus o "presente" de ter sido indicada para trabalhar como correspondente internacional da Rede Globo de televisão. Detalhe: o marido dela é diretor de jornalismo da Globo Internacional. A mim, parece mais uma obviedade do que um milagre.

Outro problema que também não precisa ser considerado como regra, é que mulheres em funções administrativas no jornalismo, acabam por assimilar condutas masculinas. Chefiar um meio de comunicação ou ser diretamente responsável pelo bom funcionamento deste requer severidade. Muitas mulheres confundem esta realidade, perdendo um pouco de sua identidade feminina. Competência, pulso firme e eficácia não são características necessariamente masculinas. Mulheres podem exercê-las facilmente, sem descer do salto.

Não tenho nada contra mulheres ocuparem cargos elevados dentro do jornalismo. Contanto que o mérito seja exclusivamente delas e fruto do seu trabalho, e que nada se perca no caminho, é até uma vantagem. Não precisamos ser iguais para sermos melhores. O sucesso está justamente nas diferenças, e em como lidamos com elas.

                                        

criação: lisandro staut