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Cobertura total, sim
Davi Basso
Estourou há muitos anos na mídia a bomba de Hiroxima. Seu eco ouve-se até hoje nos meios de comunicação. Dentre os meios, o mais atingido foi o jornalismo, maior alvo das críticas do pós-guerra.
Apregoa-se que o auge da manipulação jornalística ocorre durante as guerras. Críticas ferrenhas ao comportamento dos jornalistas são feitas depois do término do conflito. Esquece-se, porém, de analisar os ângulos restantes, pois o jornalista não é somente observador ou relator do fato: é também o alvo.
Tanto na guerra quanto fora dela, o profissional da notícia é obrigado a se defender de um lado física, de outro moralmente. Quantos não se arriscaram no impasse da Bósnia-Herzegóvina e Iugoslávia (atual Sérvia e Montenegro)? Israel e Palestina? A nova zona de risco agora se chama Iraque; quantos mais morrerão?
Úteis a todo o momento, os jornalistas se expõem a roubos, seqüestros, tiros, balas perdidas e outras nem tanto. Tudo isso para tentar deixar o cidadão de seu país bem-informado. Quem deixou de ser avisado durante as atrocidades cometidas durante qualquer guerra contra os civis? Quem nunca leu algo a respeito dos reais motivos das lutas pela liberdade do povo daqui e d'acolá? Simultaneamente, muitos deixaram suas vidas pela profissão.
Máquina da informação
É verdade que muitos governos utilizaram-se da informação para angariar apoio popular em tempo de guerra. O modelo atual de influência veio do nazismo, que instalou bases de comunicação radiofônica onde o jornalismo foi explorado com notícias a favor de seu sistema de governo dentro do domínio adversário. Sua mensagem era de união e superioridade da raça ariana.
Da mesma forma, fizeram uso de tais recursos as superpotências da Guerra
Fria. Procuravam criar centros de informações no domínio adversário que propagasse seu estilo de vida. Utilizavam, via de regra, o jornalismo para dar maior credibilidade à informação. Transmitiam notícias que induziam o ouvinte a considerar aquele o melhor sistema de governo.
Em contrapartida, quem poderá reclamar que não foi alertado do perigo das grandes guerras? A quem a notícia não chegou?
Na época da Segunda Guerra Mundial a mídia mostrou sua grande
importância como meio de informar sobre os desdobramentos no campo de
batalha. As famílias, ávidas por notícias do front, encontraram
nela a fonte para sua curiosidade e preocupação. A imprensa foi
essencial.
Mesmo que um meio de comunicação queira subtrair uma mensagem, logo será anunciada por outro canal. Se a CNN não quer dar a notícia dos garotos atingidos pelo ataque ao Afeganistão, bem como escolas, hospitais e creches destruídas pelos "mísseis inteligentes" que "nunca erram o alvo"; a emissora do Catar, Al-Jazeera, cobre e a rede rival da CNN, ABC, reproduz as imagens. É anunciado o fim do luxo do unilateralismo.
Esta concorrência leva o cidadão a ser bem mais informado enquanto os meios de comunicação bem menos parciais. Obviamente, não se pode pedir isenção total; se mesmo os religiosos americanos querem a guerra, não será por esta atitude que a religião deixará de ser benéfica para a humanidade. Da mesma forma, o jornal, como instituição, é livre para ter opinião própria. Pensar de outro modo está na contramão da realidade.
criação: lisandro staut |
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