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Preparar,
apontar... rodem as prensas
Fabiana
Amaral
Com a
Guerra do Iraque, um certo pânico parece tomar conta da população mundial. No Brasil, o medo maior fica por conta dos governantes, que temem um tremor na economia - esta não fica de fora da zona de combate, na
verdade corre muito risco na trincheira. O restante da população fica na expectativa. Tudo o que sabem, e possivelmente saberão, depende do que a imprensa mostra e mostrará durante a guerra.
Aí o medo realmente é maior. Depender da imprensa para saber de maneira exata o que acontecerá nos bastidores do conflito é um risco que todos correrão. Não que todos os jornalistas sejam sensacionalistas ou antiéticos, mas quando o assunto em questão envolve a superpotência mundial e seus "amigos", a proporção dos erros e gritos da imprensa é
mensuravelmente proporcional.
Em âmbito mundial, pode-se prever uma certa manipulação de notícias pela portentosa CNN, tradicional "garota de recados" estadunidense. E nem é injustiça, afinal, quem não se lembra do episódio 11 de setembro?
Coisas como estas não são difíceis de imaginar. Imaginem o posicionamento e as manchetes do francês
Le Monde, oficialmente contra o conflito e fazendo biquinho para Bush. Juntamente com a maioria dos veículos europeus, o jornal pregará o pacifismo.
No mundo oriental, previsivelmente demonizando os Estados Unidos, as televisões e jornais - se existirem, é verdade - não pegarão leve em conduzir o povo ao mais alto grau de ojeriza aos americanos e ingleses. Cá para nós, nada mais natural. Ao passo que a população desses lugares nem mesmo faz questão da informação, que serve mais como pimenta, numa comida já bastante ardente.
Imprensa tupiniquim
A imprensa tupiniquim, até o que se pôde ver na guerra contra o Afeganistão, parece ser a mais previsível. Exageros à parte, mas não adianta possuirmos excelentes correspondentes, se os veículos já estão
predeterminados.
Tome-se como exemplo a cobertura da revista Veja no período Bin Laden. Seis capas consecutivas, mais outras tantas com chamadas que mostravam ser os Estados Unidos o Bem, que combatia arduamente o Mal, o Afeganistão. Parecia mais propaganda estadunidense ou boletim da Casa Branca, do que outra coisa.
Os grandes jornais brasileiros, a saber, Folha e Estadão, até tentaram uma pseudo-isenção, mas não deu para segurar muito tempo, com a possibilidade de faturar muito mais nas bancas. Seções especiais com diagramação tendendo ao vermelho e bandeirinhas americanas foram vistas abundantemente naquela época.
Sendo assim, não dá para imaginar algo muito diferente dessa vez. O Brasil oficialmente se declara neutro no conflito, favorável apenas a um desarmamento do Iraque - que, sabidamente, não se dará de forma pacífica. Mas na hora do arrocho, e aí entram o FMI, investimentos e outros tantos "convincentes" argumentos, o País adere ao padrinho ianque. Muitos da imprensa nacional vão junto e quando não vão, fazem um estardalhaço tão inconsistente que seria melhor não fizessem.
A guerra está chegando, mas o preocupante mesmo é o estrago que a mídia, principalmente o jornalismo, fará quando começar a colocar maciçamente seus tanques na rua. Protejam as cabeças que lá vem bomba.
criação: lisandro staut |
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