|
|
|
editorial
| debate |
imprensa
| mídia
cultura
| perfil | nostalgia
| opinião
cotidiano
| leitor
| e-mail
| expediente
anteriores | próximas
edições | inicial
Avanço tecnológico. Comunicação eficaz?
Isadora Schmitt
"Desde os primórdios até hoje em dia, o homem ainda faz o que o macaco fazia. Eu não trabalhava, eu não sabia, que o homem criava e também destruía. Homem primata, capitalismo selvagem..."
A música
Homem Primata - sucesso do grupo Titãs nos anos 80 - ilustra claramente o desenvolvimento da sociedade ao longo dos anos. O crescimento das cidades, as descobertas da ciência e o avanço das novas tecnologias da comunicação são alguns dos aspectos primordiais para a análise do tema.
A mídia - senhora todo-poderosa do momento - talvez seja um dos principais agentes das mudanças ocorridas no mundo. Os veículos impressos, a televisão
e a internet são meios que construíram um império praticamente inabalável.
Antigamente, os meios de comunicação, comparados com os atuais, eram evidentemente arcaicos. O que hoje fica pronto em minutos, no passado com certeza levava horas. A tecnologia cresce em proporções gigantescas, desafiando o tempo, o espaço e até mesmo os homens.
Mas será que os avanços tecnológicos são totalmente válidos? Não existe algo, num passado longínquo que estamos nos esquecendo? Com certeza sim. A história nos revela,
por meio de inúmeros exemplos, quanto os oligopólios comunicacionais enfraqueceram o conteúdo.
Muitos veículos de comunicação foram criados com o intuito de protesto contra os poderes exercidos pelo Estado. Infelizmente, o que vemos hoje é uma mídia totalmente dependente desde mesmo Estado, que a fez perder o seu principal objetivo: a informação.
No III Fórum Social Mundial, realizado em janeiro deste ano, ocorreu uma conferência que debatia o papel que a mídia presta para a globalização. Eugênio Bucci,
ex-professor de Ética na Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, foi um dos conferencistas. Ele ressaltou a diferença dos veículos atuais com os antigos.
"Os meios de comunicação, que no passado serviam de espaços abertos para discussões políticas, hoje nada mais são do que conglomerados que buscam impor conceitos e realidades",
declarou Bucci.
Necessidades mercadológicas
Com certeza, o avanço trouxe tecnologias magníficas. Contudo, as necessidades do mercado ficaram em primeiro lugar. O que deveria ter primordialmente um objetivo social, acabou buscando a qualquer preço interesses capitalistas.
A televisão mudou muito desde o surgimento. A maioria dos programas atualmente é de péssimo nível, tendo como enfoque principal a pornografia e a violência. Os programas educativos que no passado eram significativos na televisão brasileira, foram substituídos por desenhos violentos, o dito "showrnalismo" e atrações de entretenimento barato.
Por mais que a televisão brasileira tenha atingido uma qualidade técnica digna de primeiro mundo, ela não vem respeitando os valores éticos e sociais. A jornalista Vera Lopes em seu artigo "A lei da selva" no livro
A TV aos 50, mostrou-se indignada com atual situação do veículo no País. "Comparada à legislação de outros países, a brasileira é de um laconismo que reflete com perfeição a falta de consciência da relevância do meio televisivo no mundo contemporâneo e, conseqüentemente, a responsabilidade social subjacente ao exercício desta atividade", escreveu ela.
Os jornais impressos também já tiveram seus tempos áureos. A paixão pelo exercício da profissão, incontestavelmente foi substituída por interesses capitalistas. A busca pela imparcialidade e a luta pelos direitos sociais acabou no esquecimento daqueles que um dia foram defensores do direito à informação de qualidade. A tão amada imprensa, por diversos fatores, pode ser substituída hoje pelo termo "empresa".
A internet, o rádio, o cinema e muitos outros meios poderiam ser citados. A análise é ampla e com certeza digna de muitos outros debates. Como diz a canção, o homem primata pode criar e também destruir. Mas será que ele pode mudar?
criação: lisandro staut |
|