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Tendenciosamente má
Fabiana Amaral
Parando para lembrar de como se processava a mídia há alguns anos, mal se reconhece o que vemos hoje. Não se trata de cair numa nostalgia pelos pombos-correio ou telégrafos, mas de recobrar um pouquinho o espírito do jornalismo e tentar analisar as tendências da comunicação atual.
As informações, deveras, não eram tantas, mas importantes. Não era publicada qualquer banalidade só para ganhar notoriedade. Logicamente, a comunicação, fosse jornalística ou não, não era totalmente isenta de interesses e sujeiras, mas se haviam, não eram tão salientes como agora.
Pode até soar retrógrada essa premissa, mas não adianta defender o que se passa hoje na mídia sem considerar em que pé anda a comunicação, e, pior, como continuará andando. Isso porque se sabe que as telecomunicações são os principais condutos de revoluções no que tange a comunicação midiática. Conforme aumenta o desenvolvimento da tecnologia, ela é aproveitada para desenvolver a mídia também.
Assim se deu com o telégrafo, com o telefone, com as transmissões por satélite, com a internet e outros tantos desenvolvimentos. Não fosse isso, simplesmente não existiria muito do que chamamos de moderna comunicação, ou mesmo "grande imprensa". Não podemos esquecer seus benefícios, afinal, uma notícia que demorava dias e até meses para atravessar um continente no passado, hoje, em questão de segundos, já está espalhada por todo o mundo.
O rádio, a televisão e principalmente a internet fizeram com que as notícias se tornassem praticamente instantâneas. O que um veículo não proporciona, o outro completa sem maiores problemas. Ao passo que, antigamente, por empecilhos do tempo, só as matérias mais importantes entravam na cena da mídia, com essa possibilidade, agora mais fatos, abrangendo um leque de variedades muito maior, podiam ser noticiados ao mundo.
Começam aí alguns dos problemas com a facilidade de divulgar notícias. Não importa a besteira, já que tem espaço - principalmente na internet -, vamos divulgar.
Por esse tipo de coisa, é possível analisar as tendências do uso da alta tecnologia - e mesmo da população, que de uma forma ou outra acaba trançando a linha da comunicação atual. Não se pode negar a influência da mídia na formação ideológica do povo. Todavia, é ingênuo o pensamento que este não influencia a mídia. Mas se o assunto descambar para esse lado acabaremos na problemática do ovo e da galinha.
Levando em conta que nos últimos 30 anos foi gerada mais informação do que em toda a história da comunicação, consegue-se entender também o famoso estresse tecnológico do qual o mundo padece. São muitas as informações veiculadas pela mídia, muito mais do que qualquer computador poderia armazenar ou alguém, com o cérebro mais privilegiado do universo, poderia pensar em processar.
Está aí o futuro, ou tendência, como queiram, da comunicação moderna. A mídia tende a despejar tudo o que lhe vem para um público que mal filtra o que recebe. Ninguém absorve efetivamente nada e fica frustrado porque não consegue o impossível, que, aliás, é exigido, mesmo que de forma velada.
Sem seguir efetivamente um padrão, o que se vê atualmente é um pandemônio que recebe o nome de moderno e sofisticado. Estranho. Tem hora que o melhor parece ser o que efetivamente já era: comunicação completa e eficaz. Tempos modernos.
criação: lisandro staut |
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