editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidiano | leitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

A informação, o livro e o jornal

Davi Basso

Informação, tecnologia da informação, segredo. Segundo alguns estudiosos, as relações providas pelo meio digital entre empresa e consumidor mudarão drasticamente o marketing. De um lado, consumidores descontentes; do outro, empresas cada vez mais estruturadas para a venda. E o internauta perdido num monte de lixo eletrônico.

Se não fosse assim, os sites de busca não seriam tão conhecidos. Provavelmente quem navega já foi tentado a usar o Cadê ou Google, tamanha quantidade de dados baixados de uma simples pesquisa.

Salvo para os sites das empresas, que via de regra são simples de encontrar, qualquer busca deixa o internauta maluco. São 657 itens encontrados; listados aqui de 1 a 27. O resto, o internauta sabe que é dividido em seções. E quase nunca vai até o fim, pois se a máquina não precisa de arroz e feijão, o internauta precisa. Sem falar na paciência.

Ninguém encontra o que precisa na primeira opção. Ninguém escapa do inconveniente. Do mais, apesar de ser um revolucionário meio de comunicação, a rede eletrônica não faz distinção entre o bom e o ruim. Não é à toa que se tornou representante dos tempos pós-modernos.

Ao se misturar dados com informação, acaba-se por confundir um com outro. Hoje, chama-se um simples dado banal de informação. Segundo Clemente Nobrega, colunista e um dos maiores pensadores de marketing, informação é tudo aquilo que gera transformação. Procure na internet e veja se acha!

É uma tendência muito antiga querer se igualar aos grandes. Agora, tudo que é feito de qualquer modo está em parelho com trabalhos de grandes artistas. Até quem não queria, mesmo não querendo, está lá. A grande rede permite que uma empresa de milhões de dólares tenha o mesmo espaço de qualquer um que tenha computador e esteja conectado. Por meio de hospedagens gratuitas, o cidadão tem o mesmo espaço que uma multinacional. Para alguns, isto é a socialização da internet. Todos querem um lugar ao sol.

Ações rápidas e com movimento

Diz-se que com a rede os consumidores exigirão transparência. Pode ser verdade. Entretanto o que está por traz de cada site é a mesma natureza que estava atrás do balcão. O espírito da venda. Pode ser de produtos, idéias, até de relacionamento - que dizer dos blogs? A World Wide Web apesar de impessoal, também tem sua natureza. Sendo também a mesma que rege as reações humanas, a troca.

Como todo espírito vendável, a internet, por meio da tela do computador se assemelha mais à diversão. Seu modo prático, instantâneo, revela sua vocação para o atual. Nada de gastar muito tempo em apenas um site. Os bate-papos têm sido exceção. Mesmo estes apresentam mudanças no decorrer de sua permanência, de outra forma o usuário os abandonaria - não conheço ninguém que fica num destes sites sem se comunicar.

Já tentaram divulgar livros inteiros pela internet, e quem os procurar bem ainda pode encontrá-los. Entretanto, a idéia de lê-los, que exige horas frente à tela do computador numa atitude concentrada, não pegou.

Foi o formato que não agradou os leitores? Justamente. Este mesmo formato foi desenvolvido para rápidas pesquisas de dados. Não que a internet seja inútil e sem informação, pois podemos realizar muitas coisas com as informações disponíveis. Entretanto, para uma maior conscientização, digamos transformações, é ainda necessário um bom livro e um jornal.

                                        

criação: lisandro staut