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My name is Jor, Jornalista

Fabiana Amaral

Se existe uma profissão que se arroga superior a muitas outras, essa é o jornalismo. Não que me demorarei a falar mal dessa ilustre carreira, mas esse zelo demasiado com o poder que representa causa alguns estragos na sua lustrada aparência. Isso se dá pelo fato do jornalista perder a noção do que pode ou não fazer.

Em todos os ramos do jornalismo, persiste essa sombra que macula os profissionais. Contudo, no jornalismo investigativo a evidência se torna mais saliente. Acontece que no calor da hora, no auge do momento, na ânsia pelas informações necessárias, propositalmente ou não, o jornalista esquece que tem que seguir normas e que está sob uma legislação. Haverá penalidades para seus escorregões, seja para ele ou desprestígio para a classe.

A ética, se levada ao pé da letra, em muitos casos é apenas uma matéria da faculdade. A preservação de fontes, de ser o mais fidedigno possível nas informações que recebeu e coisas do gênero nada mais são do que meios de se trabalhar melhor e com mais segurança. Preservar a fonte não é algo ético, mas garantia de que receberá novas informações. Coisas do tipo.

Com as novas tecnologias, as barreiras entre o lícito e ilícito são ainda mais tênues. As microcâmeras, infiltrando-se na vida alheia, com sua facilidade de flagrante, tiram do jornalista a sensação de invasão de privacidade. Os grampos telefônicos, proibidos por lei acabam fugindo da sentença quando por meio deles se pública a vida devassa de determinado figurão.

O jornalista, que já tem seu ego num tamanho considerável, só falta subir às nuvens quando se nota dono de ferramentas que aplicadas à prática lhe dão poderes quase ilimitados. É praticamente uma síndrome de James Bond. Com direito a explosões, tiroteios e outros tantos efeitos especiais.

No entanto, não se pode olvidar, que alguns desses instrumentos de fato contribuíram para a melhora na informação e acesso aos assuntos mais cabeludos que não poderiam ser conseguidos de outra forma. Essa tecnologia também facilitou a fidedignidade nas declarações - não vamos exagerar também, não é?

Mas a verdade é que o que já era complicado ficou ainda mais: definir até onde a ética no jornalismo é vista na prática e até onde é realmente praticável. Partindo dessa problemática entram em cena poderosas e bem fundamentadas críticas. Estas, porém, não são facilmente rebatidas pelo simples fato de que a ética no jornalismo, há muito tempo, é assunto de prova universitária - e nada mais.

                                        

criação: lisandro staut