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Jornalismo investigativo, jornalismo social
Ágatha Lemos
Todo jornalista, talvez pela própria natureza da profissão, tem em si algo de detetive. A busca da verdade, da coerência e da clareza do fato exige do mesmo averiguações que tornem seguras suas conclusões a fim de serem publicadas sem equívocos.
Este potencial investigativo torna-se ainda maior diante de crimes indecifráveis ou ilegalidades de todo gênero que acabam maculando a sociedade. Infelizmente, muitos dos jornalistas, que se propõem a este tipo de trabalho, encerram sua carreira mais cedo, acrescentando seu nome ao memorial de heróis.
Sendo assim é comum associar o jornalismo investigativo ao crime organizado, às denúncias de narcotráfico e corrupção. Mas este gênero é mais abrangente. Além do uso da pesquisa e da utilização de métodos especializados, é necessária uma postura científica que analise e divulgue não só o social, mas também o comportamental, o biológico, natural, entre outros ramos passíveis de investigação.
É esta abrangência que intensifica a democratização. Afinal, há muitos assuntos a serem investigados que fazem parte do interesse público; deveriam, conseqüentemente, fazer parte das pautas dos jornalistas dessa área.
Por mais que haja controvérsia quanto ao compromisso da imprensa em relação às leis nacionais de privacidade, à inquirição e apuração que ela proporciona, indiscutivelmente, o jornalismo investigativo contribui com o Poder Judiciário.
Este jornalismo pode ainda funcionar como uma ponte entre a ciência e as diversas classes de pessoas do País e mundo, acrescentando conhecimento a estas por meio de documentários ou noticiando pesquisas e ainda despertando setores da educação. Para tanto, o domínio das técnicas que levam à compreensão do que se pretende tornar conhecido, aliadas à imaginação e criatividade são indispensáveis.
Viabilidade
Muito mais importante que discutir sobre a relevância do jornalismo investigativo ou científico e de precisão é preciso considerar quais os procedimentos e se há condições favoráveis para seu desenvolvimento, ou seja, qual a sua viabilidade.
Fala-se de invasão de privacidade. Deve-se, então, ser também considerado se há ou não apoio ao jornalismo investigativo e científico, tanto de órgãos governamentais como privados, bem como se há abertura dos cientistas e investimento nacional. Deve-se, em suma, ser avaliado o valor que tem sido atribuído aos jornalistas que se empenham em expor realidades desconhecidas, de forma não superficial, e aos que para isso, em muitas situações, se arriscam.
Do profissional que escolhe este segmento são imprescindíveis dois requisitos básicos: responsabilidade e competência. Enquanto o primeiro tem a ver com a ética diante do que foi descoberto o segundo tem a ver com o bom senso na escolha da pesquisa e a aceitação pública da mesma; saber onde encontrar as informações necessárias; ter fontes fidedignas; aplicar a metodologia científica para interpretação; argumentação; comunicar de forma acessível ao público o resultado obtido.
O jornalismo investigativo e científico pode, certamente, ser um grande agente de suporte à sociedade, intensificando e ampliando a absorção dos fatos nas pessoas, desde os temas mais simples, belos, complexos ou atípicos.
Vale lembrar que a sociedade e as autoridades beneficiadas pelos jornalistas investigativos devem apoiá-los com recursos materiais, menos burocracia e, finalmente e especialmente, proteção. O jornalista do mundo real pode ser tão eficaz em termos intelectuais ou perspicácia como o casal Lois Lane e Clark Kent, mas não podem contar com a intervenção segura do super-homem da ficção.
criação: lisandro staut |
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