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Investigação
ou sensacionalismo?
Ketielly Bahia
Todo o mundo sabe que o jornalista precisa estar comprometido com a verdade e com as normais éticas exigidas pela profissão. O que nem todos imaginam é o tamanho do obstáculo que esses profissionais precisam enfrentar para obter informações relevantes.
Levantar dados, buscar uma história e investigar uma situação são os trabalhos mais complicados de um jornalista, principalmente quando as fontes não colaboram. Mas o mais difícil é passar essa informação de uma forma clara e objetiva, não como uma forma explosiva de denúncia ou como um fato sensacionalista.
O jornalismo investigativo deveria se distinguir por divulgar informações que fossem de interesse público, que denunciassem ou alertassem a sociedade de algum mal. Deveria ser uma contribuição da mídia à sociedade. Contudo, esse parece não ser o principal objetivo da mídia. É por meio do interesse do jornalismo investigativo em investigar e publicar uma história que se conhecem
suas reais intenções.
A televisão, talvez mais que qualquer outro veículo, confunde o objetivo do jornalismo investigativo e acaba atribuindo outras características a ele. Características que fogem daquilo que ele realmente é.
As emissoras de TV brasileiras estão repletas de exemplos de distorção do jornalismo investigativo. Programas como
Linha Direta (Globo), Brasil Urgente (Band) e Cidade Alerta
(Record) são exemplos de um tipo de jornalismo que se posiciona para dar uma informação às vezes séria, mas que acaba se baseando mais na emoção e no espetáculo, tornando-se mais sensacionalistas do que investigativos.
Esse tipo de programa geralmente foge da conduta ética e moral que se espera num jornalismo sério. Estão mais preocupados com a audiência do que com o benefício da população - embora muitas vezes o telespectador prefira que a exposição dos fatos venha acompanhada de bastante emoção.
Jornalismo de rua às vezes também pode ser classificado como sensacionalista, como no programa
Cidade Alerta, que mostra a violenta realidade da Grande São Paulo. As imagens são o forte do programa, e essas são geralmente chocantes.
Jornalismo teatral
Outros casos onde o jornalismo investigativo é conduzido pelo sensacionalismo é quando alguns veículos dão espaço para denúncias, reclamações ou coisas do gênero. Nesses programas os apresentadores vão de atores - pois interpretam, gesticulam, dramatizam, etc. - a policiais, pois caçam bandidos e ajudam a desvendar crimes.
O Linha Direta se encaixa nesse perfil de programação. Transmitido às quintas-feiras, o programa sempre apresenta dois casos criminosos, simulados por atores que reconstroem a história.
As histórias são sempre ricas em detalhes para situar as pessoas e dar mais sensação ao fato, sendo que a história é sempre interrompida por depoimento de pessoas que realmente estão ou estiveram ligadas ao caso. Essas geralmente se emocionam, transmitindo o mesmo aos telespectadores.
Transmitir a verdade com clareza e objetividade vai continuar sendo um grande desafio para todo jornalista. Infelizmente, o objetivo de emocionar parece ser mais importante do que o de informar e investigar.
criação: lisandro staut |
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