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O
chamado periodismo de investigación
Ana Paula Ramos
O jornalismo investigativo tem muita importância para os grandes veículos de comunicação. O repórter investigador ganhou credibilidade e força em quase todos os países da América Latina em que a democracia se consolidou.
Para dizer a verdade, o jornalismo investigativo cresce em todos os países regidos democraticamente. No entanto, não é o que pode ser observado no Chile, por exemplo. É válido ressaltar que nos governos democráticos as transformações são fundamentais para a prática da investigação.
Os meios de comunicação, ao saírem da repressão causada pela ditadura - por sinal, um passado cruel vivido por países da América Latina -, desenvolveram-se em demasiado.
As publicações comprometidas com a revelação de abusos, fraudes e confrontos políticos começaram a crescer.
O Chile é um dos países mais pobres da América Latina, em se tratando de jornalismo investigativo. Os outros países, por sua vez, alcançaram seu apogeu com a democracia.
O auge do jornalismo investigativo no Chile ocorreu durante a ditadura pinochetista. Na época, alguns meios se especializaram nesta prática. Revistas como
Cauce, Análisis, e o diário Fortín Mapocho sofreram com a repressão, mas lutaram até o fim da ditadura, publicando matérias e fotografias condenando a censura e defendendo a ética política.
Mas estes veículos só trabalharam firme na ditadura. Com a chegada da democracia, o jornalismo investigativo, que era baseado apenas na luta contra a repressão, perdeu totalmente a prática investigativa.
Um outro problema que surgiu no Chile e que afeta outros países é a busca da quantidade e não da qualidade das notícias. Com objetivo apenas de fabricar reportagens de baixo custo com retorno imediato, alguns veículos têm optado por não gastar com matérias investigativas, que são longas e requerem custos adicionais.
Denúncia
Quando falamos de jornalismo investigativo lembramos de dramas policiais - CIA e KGB como apresentam os filmes. Contudo, a corrupção governamental tem sido o foco central das investigações da imprensa na América Latina. Inclusive em muitas pesquisas, a mídia aponta a corrupção como sendo uma das três maiores preocupações da população latino-americana.
O paradigma do jornalismo investigativo é o caso Watergate, em que dois jornalistas do
Washington Post provocaram a queda do presidente norte-americano Richard Nixon com suas revelações. Pode-se observar nos grandes veículos de comunicação e na América Latina como este segmento de denúncia tem se difundido.
Nos Estados Unidos, o New York Times, investe pesado no jornalismo investigativo. No Brasil podemos observar que esta prática está fortemente ligada às revistas semanais, ressaltando a IstoÉ, com suas matérias que detalham e aprofundam o assunto em questão.
Investigação social
Saindo um pouco das tramas polícias e das denúncias de corrupção, os documentários do
Globo Repórter e algumas séries do Fantástico, ampliam a visão do jornalismo investigativo, tratando de assuntos de interesses sociais próximos da realidade.
A TV Cultura, por exemplo, apresenta séries de reportagens investigativas, uma delas, do jornalista Washington Novaes, transmitida no ano de 2002, falava sobre como o lixo é tratado em diversos países do mundo.
A ditadura no Chile, a corrupção no Brasil e os casos policiais nos Estados Unidos acabaram por direcionar o jornalismo investigativo em apenas uma linha. Isso fez que este gênero desaparecesse no Chile. E isso pode acontecer em outros países também.
Se os meios de comunicação atentarem para o real sentido do jornalismo investigativo, muita coisa poderia ser feita em benefício da sociedade. O jornalismo caminharia somente para o desenvolvimento.
Pois é, na investigação jornalista o mais completo trabalho pode ser efetuado. O "periodismo de investigación" pode buscar muitas fontes e alcançar grandes resultados, tanto para os meios quanto aos receptores.
criação: lisandro staut |
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