|
|
|
editorial
| debate |
imprensa |
mídia
cultura | perfil |
nostalgia |
opinião
cotidiano
| leitor
| e-mail |
expediente
anteriores | próximas
edições | inicial
Jesus e a literatura de cordel
Davi Basso
Muito se diz no popular que Cristo é brasileiro. Se tal afirmação corresponder à verdade, Ele passou pela terrinha e ficou registrado na literatura. Nas poesias da literatura de cordel, Jesus é retratado como um nordestino pobre e valente.
Cristo na literatura de cordel é um homem anônimo, passando quase desapercebido pelos outros personagens. Mantém, porém a ilustração de um Ser sempre presente. Onde quer que vá, apesar de acompanhado por um discípulo, é simplesmente mais um nordestino que caminha.
Nelas, Jesus usa de seus poderes para ensinar a vida simples e honesta a todo homem. Exemplo disso é poema de Manoel D'Almeida Filho, intitulado
Jesus Cristo, São Pedro e o Ladrão (veja foto).
A história passa-se no sertão nordestino. Cristo se hospeda em uma cabana cujo dono é um assassino, que tenta armar uma emboscada para matar seus hóspedes. Como de costume, o "gentil" hóspede faz a emboscada, mas se dá mal. Cristo o transforma em um cavalo e o aluga por um ano, que passa a dolorosos trabalhos.
Entretanto, a relação de Cristo com o Brasil não é feita só de história. O cordel de Paulo Nunes intitulado
Carta-cordel a Jesus Cristo no Céu relata as mazelas da humanidade numa carta dirigida a Cristo.
Apesar dos dois poemas acima serem um tanto quanto desconhecidos do grande público, o cordel se popularizou com a filmagem da obra de Ariano Suassuna,
O Auto da Compadecida, inicialmente exibida em formato de minissérie e mais tarde em filme
(leia
a resenha).
A representação feita para as telas é cheia de contrastes. Uma delas é Maria ser branca e seu filho negro. Cristo também entende muito bem a posição de um pistoleiro. Aliás, por toda a obra há uma compaixão profunda pela mazela nordestina. Na cena do juízo, Cristo absolve o cangaçeiro por entender exatamente a vida do cangaço.
Aliás, este é um tema corrente nesta literatura, Cristo entende muito bem o nordestino. Ou melhor, é um deles.

criação: lisandro staut |
|