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No picadeiro, o jornalismo
Grace Spínola
Tudo começa nas salas de aula. Os alunos se acham especiais demais. Não conseguem assistir a uma aula sequer se o professor não interagir com a turma, se ele não for dinâmico. Tal "especialidade" - impaciência, melhor dizendo - se vê hoje na fusão entre notícia e diversão.
Francisco Mesquita Neto, diretor-superintendente do jornal O Estado de São Paulo e presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), acredita que se aceitando ou não isso como fato pejorativo, o jornal se tornará cada vez mais um veículo de entretenimento. Por quê? Porque a sociedade muda. O cliente enjoa.
Quem delimita o que é ou deixa de ser notícia? Para mim, pode ser muito interessante a notícia de que Xuxa está grávida, para você não. Surge uma delicada questão. Fulano de tal, que virou ícone depois de Big alguma coisa, casou-se. Notícia ou entretenimento? Se ele virou atração, se o Big alguma coisa mexeu com a sociedade, mudou comportamentos, por que não ser notícia? Só porque é a vida de um fulano? E se for o presidente? O presidente decidiu passar férias em Fortaleza. Isso é informação? Ou a informação tem que "mexer", modificar? Bem sabemos que não.
Nunca se falou tanto em comunicação como agora. A informação, notícia, mídia, comunicação fazem parte do cotidiano de uma massa que pouco sabe o que é qualidade, porque não a tem nem mesmo no que come; que não sabe o que é literatura, porque o amontoado de letras não lhe faz sentido.
Sem ter as
necessidades essenciais supridas, a nação alienada não sabe o que
"achar". Não juntam provas nem procuram outras fontes; não
sabem seguir pistas. Para ser sinceros, pouco importa. Existem coisas
muito mais importantes na vida: alimentação, moradia, saúde.
Sendo
assim, como informar tal sociedade, ameaçada por sua ignorância?
Divertindo. O entretenimento entra na grande sacada: o povo está cansado
da desgraça. Faz parte do jogo entreter. Um jogo de mídia.
O lazer, não
importa de onde venha, sempre é aceito como um lenitivo. Quando a
preocupação do dia-a-dia é esquecida, por mais que seja por uns bons
segundos, as pessoas agradecem. A fome passa, o 11 de setembro se torna
apenas mais uma data, a guerra some, a burca não incomoda.
A mistura entre jornalismo e entretenimento é uma tendência inevitável. Assim como a sociedade muda, devemos nós traçar a linha do que nos compete. A maior responsabilidade do jornalista é o comprometimento com o público. Se ele precisa sorrir, não custa nada lhe dar uma flor.
criação: lisandro staut |
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