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Espetáculo,
divertimento
e depois jornalismo
Katianne Jouguet
A mídia atual visa atingir a todos os públicos. Para isso, criou vários
tipos de nichos. Os veículos de notícias gerais abordam economia, esportes, política, cultura, turismo e outros.
No entanto, nem todos os temas interessam a todos.
Ultimamente, é preciso estimular a venda de jornais, em especial. Poucos lêem impressos diários.
E o que mais interessa ao público não é, propriamente, o conteúdo jornalístico. Nesse ínterim, jornais de grande circulação no Brasil, introduziram em seus roteiros, artigos específicos que atendem a essa maioria.
A Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo apresentam em seu cronograma os cadernos
Folha Ilustrada, +mais! e Caderno 2. Ambos retratam cultura, literatura e arte. Salvo o
+mais!, que é dominical, os outros são diários.
A Folha Ilustrada e o Caderno 2 são concorrentes diretos. Na análise dos materiais apresentados, nota-se a presença de
conteúdos de tamanha efemeridade e descontração esdrúxula.
Diariamente, os veículos costumam expor as programações da televisão aberta e canais pagos, além de anunciar as novidades destes. Seção de astrologia e cruzadas que nada enriquecem o leitor. Existem também os quadrinhos, inspirados pelas conversas superficiais do cotidiano.
Os cadernos, voltados principalmente para a elite, expõem as festas e os megaeventos que acontecem ou acontecerão nas
nights. Uma página inteira do Estadão, intitulada "Persona", é destinada a estes eventos. Há também, seções de cinema e teatro.
Arte, cultura e entretenimento
A cultura e a arte se tornam entretenimento. Não há nenhum enriquecimento cultural em cadernos que apenas noticiam socialites e acontecimentos que as rodeiam. Colocar as fofocas em dia é bom, mas estas não precisam ser enfocadas num periódico que deveria prezar por notícias de cunho jornalístico.
O único caderno que ainda preserva a verdadeira arte é o +mais!, da
Folha. Este, publicado somente aos domingos, é um engradado especial sobre cultura, se diferenciando dos diários mencionados anteriormente.
O +mais! é mais mesmo, na forma pejorativa de dizer. Seus artigos expõem literaturas com conteúdo de alto nível jornalístico. Geralmente escritores polêmicos são analisados como o escritor George Orwell. Este, que trabalhou como editor de literatura e como colunista do
Tribune (jornal socialista de época), é alvo de um artigo extenso e minucioso. Os colunistas criticam sua vida e sua obra de sucesso, A Revolução dos
Bichos. Os dados levantados se contrastam com o contexto histórico.
Pena que a verdadeira cultura tem espaço em apenas um dia da semana. O +mais!
é uma exceção bem-vinda na mídia. Mas, tudo o que é bom, no sentido real da palavra, dura pouco. O jornalismo, encontrado em cadernos diários de arte e cultura, é muito insignificante.
O entretenimento se tornou parte integrante destes. E isso não apenas se limita aos grandes impressos
Estadão e Folha de S. Paulo. É preciso reelaborar os conteúdos de praticamente todos os jornais. Estes devem deixar de ser meros nichos de artistas. O enriquecimento cultural deve fazer parte constante do cotidiano das pessoas.
O entretenimento, não é divulgado somente pelos jornais impressos. A mídia impressa e a mídia eletrônica se encarregam disso juntas. Como exemplo disso, há programas televisionados que não se limitam ao jornalístico. O divertimento é integrado como forma de sustentar a audiência.
É o caso do Vídeo Show, por exemplo, que afundou em sua proposta
de fazer um bom jornalismo cultural para tornar-se a edição eletrônica
da Quem.
No entanto, alguns programas de entretenimento não podem ser massacrados como sem conteúdo enriquecedor. Há uma divisão desses; entre baixo e alto nível cultural. E isso não se restringe à mídia televisionada. Como já mencionado, os impressos diários também se distinguem neste tipo de conteúdo.
Logo, não é conveniente pormenorizar toda arte e cultura apresentada pelos meios de comunicação. Mas é incoerente dizer que a maioria dos conteúdos de entretenimento é de alto nível. Continuamente, a mídia busca atender os gostos da maioria populacional. Esta, por sua vez, não se interessa pelo significado real da palavra arte; interessa-se por quem hoje,
leva o nome de artista.
criação: lisandro staut |
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