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Louros às Organizações Globo
Fabiana Amaral
É comum ouvir falar das Organizações Globo, ou Império dos Marinho, de forma pejorativa, em se tratando de fidelidade e bom jornalismo. Sim, porque em se tratando de qualidade técnica, mesmo os mais inflamados opositores não têm lá muito respaldo para abrir a boca sem passar por despeitados.
Tendo como embrião o diário carioca O Globo, fundado por Irineu Marinho em 1926, as Organizações Globo não tinham qualquer espécie de perspectiva de existência. Quem começou a guiar o barco mesmo foi o filho mais velho de Irineu, Roberto Marinho, que encontrou o pai morto no banheiro, vítima de ataque cardíaco.
Naquela ocasião, com vinte anos, Roberto não pensava em assumir a direção do jornal, pois achava ser muito inexperiente. Preferiu que a família contratasse alguém mais gabaritado e ele ficaria como repórter - isso, aliás, sempre fez muito bem. Todavia, por algumas divergências políticas em 1930, ele apoiava Getúlio Vargas para a presidência, e o redator-chefe não, assumiu a direção do jornal.
Desse início tímido é até difícil imaginar como pôde se erguer tamanho conglomerado de comunicação. Afinal, Globo é uma marca que impregna vários veículos e outras empresas do poderoso grupo. Além da TV Globo, existe ainda a Rádio Globo, a CBN, o Portal Globo, a Editora Globo, entre outros pequenos jornais e empresas das quais os Marinho possuem ações.
Esse império todo, claro, não nasceu da noite para o dia, como os invejosos fazem parecer. Roberto deu duro e sempre foi conhecido e reconhecido pelos seus subordinados, amigos ou inimigos, por dar o melhor de si no trabalho, sendo o primeiro a chegar na redação do jornal, que perdeu a posição de carro-chefe para a TV. Pisava no escritório as cinco da manhã e só saía tarde da noite, direto para o bilhar.
Ele comprou brigas de cachorro grande para fazer prosperar suas posses, não fechando os olhos para o desenvolvimento. Investiu caro na sua Rádio Globo fazendo concorrência direta com o patrono do ramo no Brasil, Assis Chateaubriand. Contudo, ainda estava para provar de pavorosa contenda quando, associado com um grupo de norte-americanos, quis mais espaço, no início da década de 60.
O problema era que Roberto Marinho, com a ousadia costumeira, queria parte de um público até então somente explorado por Chatô, o televisivo. Em 1965, fundou a Rede Globo de Televisão e, mesmo estando o Rei do Brasil curtindo seus amargos últimos dias, tiveram portentosas batalhas. Contudo Chatô já estava batendo em retirada, enquanto Marinho dava mostras de ascendente largada.
A Globo, ajudada pela mente privilegia de Walter Clark, aproveitou-se do imaginário popular e atacou em duas frentes promissoras que eram as telenovelas e jornalismo. Não deu outra. Tanto deu certo que quando se fala em Globo logo vem à cabeça o som do plim-plim.
Porém seria injusto falar de Organizações Globo sem mencionar seus outros veículos, como a editora. Tendo como abre-alas a revista semanal
Época, a Editora Globo, com bons salários e bons equipamentos, tratou de abocanhar os melhores profissionais do País. Hoje é uma das editoras que mais crescem no Brasil.
Também existe a Rádio CBN (Central Brasileira de Notícias) que é a única do país que só "toca notícia". Outro que vem angariando fidelíssimos visitantes é o Portal Globo. Com intensas campanhas publicitárias chegou a virar chavão, o que não é difícil, tendo o aparato dos outros veículos irmãos para divulgação.
Não importa o veículo a que se reporta, falando de Organizações Globo, muito se tem para falar, inclusive de mal. Argumento muito utilizado - apesar de já ter se tornado lugar-comum - é a atuação dos veículos midiáticos de Roberto Marinho nas eleições de 1989, que elegeram o gatuno Fernando Collor. Com holofotes para a TV.
É verdade que, se tratando de jornalismo, a atuação da Rede Globo de Televisão, do jornal
O Globo e outros, não foi exatamente exemplar. Mas usar esse apelo retórico a vida toda é no mínimo medíocre. Tendo em vista outros episódios tanto ou mais importantes que esse em que os globais foram mais que exemplares.
Um deles foi a última eleição para presidente, em que se viu uma atuação jornalística marcada pela discussão de idéias e "liberdade de expressão". Disso os atiradores de elite não falam, mesmo porquê não têm muito que falar. Os telejornais da emissora, e os outros meios do grupo fizeram uma cobertura notável, digna de nota até dos concorrentes.
O Jornal Nacional, por exemplo, tradicionalmente criticado por parcialidade, fez uma bateria de entrevistas acuradamente calculadas. Além de perguntas bem medidas para todos os candidatos, ainda dedicaram o mesmo tempo de exposição para cada um deles.
Além dos telejornais, os veículos impressos agiram da mesma forma, tanto que a revista
Época foi considerada a mais isenta das revistas semanais pelo Instituto Brasileiro de Estudos da Comunicação. Segundo os diretores do Instituto, ela foi a que melhor cobriu a corrida presidencial.
Engraçado é que esses fatos os tais sérios críticos não colocam na balança na hora de analisar. Mais engraçado ainda é que acusam tudo que tem o selo Globo de parcialidade, como se algo na imprensa fosse 100% imparcial. O que não se pode negar é que as Organizações Globo são hoje o maior conglomerado de comunicação do País e um dos maiores e mais respeitados do mundo, tanto em jornalismo como entretenimento, ambos extremamente intrínsecos atualmente.
Os ditos analistas de comunicação, os empolados acadêmicos e os arrogantes e presunçosos arremedos de jornalistas, ainda nos bancos universitários, que esperneiem. E enquanto curtem acanhadamente um
Big Brother Global, o resto da população rende louros às Organizações Globo. Plim-plim.
criação: lisandro staut |
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