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Filhas da mãe
Daniel Liidtke
Com o primeiro lugar de audiência televisiva no Brasil, a família Marinho
detém uma das maiores pérolas da comunicação mundial. Desde a criação da Rede Globo, em 1965, o número de afiliadas da emissora cresceu - juntamente com a popularidade da TV. Eram apenas 70 afiliadas nos anos 90. Hoje já são mais de cem.
O núcleo televisivo da Rede Globo é formado pelas emissoras de São Paulo (11), Rio de Janeiro (4), Brasília (1), Belo Horizonte (7), Paraná (8) e Recife (1). Por sua vez, as afiliadas estão distribuídas por todo o País, abrangendo 99,17% do território nacional. Dentre elas, destacam-se a EPTV e a RBS.
A Emissoras Pioneiras de Televisão (EPTV) foram inauguradas em 1979 pelo empresário José Bonifácio Coutinho Nogueira, mesmo fundador da TV Cultura. A sigla é traduzida no plural porque compreende um grupo de quatro emissoras no interior de São Paulo, salientando-se a TV Campinas.
Por sua vez, a RBS sobressai das demais emissoras - juntamente com a EPTV - pelo seu caráter de independência em relação ao núcleo Global, no Rio de Janeiro. Abrangendo os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a RBS é a maior rede de televisão regional da América do Sul. Foi fundada em 1957, por Maurício Sirotsky Sobrinho, e atualmente é presidida por Jayme Sirotsky.
As afiliadas possuem grande contraste na qualidade, oscilando entre as de grande porte, como as já citadas, até algumas deficientes em recursos e totalmente afogadas em rios políticos, como muitas do Nordeste.
Embora muitas das propagandas que a mídia faz do Nordeste sejam distorcidas, uma é verdade indiscutível: o Nordeste é o antro das politicagens no comando dos meios de comunicação; principalmente globais. TV Gazeta (Alagoas), TV Miramar (Maranhão) e TV Bahia são exemplos claros - perdão, obscuros. Sobre eles comandam os Collor de Mello, Sarney e Magalhães, respectiva e lamentavelmente. Isso só para citar os mais conhecidos.
A Folha de S. Paulo publicou certa vez uma lista onde 21 das afiliadas globais estariam no domínio político. A própria administração da Rede Globo assumiu isso no ano passado. Com o intuito de vender algumas de suas emissoras centrais, impuseram um termo para a classificação dos possíveis sócios. Uma das características preliminares é que não fossem políticos. Parece que a mãe Globo acordou para o perigo que ameaçava a qualidade de suas filhas - diga-se afiliadas.
Pode parecer coincidência ou não, mas as melhores afiliadas globais não estão nas mãos de políticos, pelo menos diretamente. É o que acontece no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Falando novamente em independência, vale ressaltar que embora algumas emissoras tenham essa fama, existem padrões que permeiam a todas. Os jornais locais, com
designers similares de mesa e fundo com foto da cidade, são pequenos modelos.
Quanto à produção própria, percebemos que não difere gritantemente. Em afiliadas de estados como Sergipe, os programas independentes chegam a sete, enquanto que as mais reconhecidas como a EPTV produzem oito.
Há as que possuem menor desenvolvimento neste aspecto, como a RMT, no Mato Grosso, mas todas esmeram-se na manutenção de pelo menos um jornal local. Em geral, estes programas são adaptações do
Bom Dia Brasil, Globo Esporte e jornais regionais com primeira e segunda edição.
Embora sejam duramente criticadas - notavelmente pelos antiglobais -, as afiliadas da Globo ainda permanecem no auge da audiência e da qualidade técnica brasileira. Ênfase: técnica.
As filhas da mãe - afiliadas da matriz Globo - são e produzem as principais programações jornalísticas e de entretenimento do País. Mas sem querer tocar nos assuntos de baixo nível, transmitidos sem hesitação pelas afiliadas, elas são realmente filhas da mãe.
criação: lisandro staut |
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