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Ditadura Marinho 

André Melo

Frio, parcial, imprevisível e maquiavélico. Adjetivos que podem ser relacionados com ditadores, ladrões e assassinos e que por alguns são resumidos em duas palavras: Roberto Marinho. A pessoa mais importante da política no cenário brasileiro e a última palavra de todas as questões.

Por décadas, o Brasil tem sido liderado e manipulado por um governo paralelo, governo esse que dita o que pensar, agir e falar. Conseqüentemente, tem interferido nas questões culturais e sociais de um povo, que diariamente perde suas principais qualidades.

Essa forma de governar não está restrito à Brasília, Senado ou Câmara. Funciona como um governo pessoal que, paulatinamente, embute ideologias, desejos e necessidades comportamentais e materiais à população, usando apenas o televisor.

A Globo influencia as pessoas nas mínimas ações, limitando a liberdade de escolha e censurando todos os que estejam contra sua imutável ideologia capitalista. Objetivam maquilar as informações que lhe são convenientes, ocultando assim a realidade. Produzem e transmitem um falso otimismo, criando na população a visão de "País da fantasia". Priorizam os números de audiência, baixando assim consideravelmente a qualidade de programação. Os assuntos de grande importância, por sua vez, são colocados de lado e secularizados. 

Muitos jornalistas, empresários e artistas, consideram essa rede de televisão como um governo comunista, que como tal, possui o seu ditador, nomeado "Stalin das comunicações" - a saber, Roberto Marinho -, odiado no mundo, mas temido por todos no Brasil. Por que então a população deixa que os meios de comunicação pensem por ela? Quem é o responsável por esse monopólio?

A culpa pode ser atribuída a diversas pessoas e entidades, na tentativa de minimizar o próprio grau de responsabilidade. Essa responsabilidade incide em cada cidadão que deveria ter consciência ao selecionar o que é, ou não, produtivo e necessário para alcançar um crescimento sócio-cultural.

O (G)lobo está à solta. Seu único objetivo é conseguir uma presa e ele não se importa onde ela mora, não escolhe o tamanho, cor, lugar ou idade. Espera encontrar uma presa para se saciar, e ao menor sinal de franqueza, ataca. A presa, no entanto, possui uma opção: correr e procurar campos mais pacíficos, onde possa ter mais segurança e paz. Caso ela ignore a presença do Lobo, seu destino estará certo: ser devorado pelo predador.

Quando as escolhas são mal efetuadas, os meios de comunicação se fortalecem, declinando ainda mais no que apresenta. A busca da sabedoria e ponderação é a única solução para a valorização das programações diárias. Conseqüentemente, pode-se dizer que somos o que lemos, nesse caso, assistimos.

                                        

criação: lisandro staut