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inicial
Liberdade
ao extremo
Ketielly Bahia
A prática do jornalismo nos ensina que para sobreviver num mercado altamente competitivo, é preciso conseguir uma informação exclusiva e torná-la pública antes dos outros veículos, ou seja, conseguir um
"furo de reportagem".
Devido a esta concorrência, observamos que constantemente, a imprensa, desfrutando de sua liberdade, invade o espaço e a privacidade das pessoas, preocupando-se apenas em vender jornais, exibir seus programas na televisão e atingir os pontos de audiência, não se importando com os meios pelos quais alcançarão esses resultados.
Estamos vivendo numa época em que é permitido falar de quase tudo, a qualquer hora e em quase todo lugar. Esta situação é chamada de liberdade de expressão. A imprensa mais do que ninguém luta por ela, mas também usufrui dessa liberdade e muitas vezes foge dos limites da ética.
A lei é criar manchetes de impacto e divulgar notícias bombásticas que, invariavelmente, levam ao sensacionalismo explícito. Muita coisa é transmitida ao público sem antes passar por uma cuidadosa análise do assunto, ou sem que se confirme a veracidade dos fatos. Assim, os receptores passam a ser peças de um jogo, ou mesmo de uma guerra, que se aproveita dessa mesma liberdade para afetar seus conceitos.
Poderíamos nos perguntar: até onde vai o direito da imprensa em noticiar fatos, fotos, imagens que ainda não passaram por uma técnica de investigação e comprovação legal, ou mesmo quais são os direitos daqueles que tem sua privacidade invadida e seus valores questionados? Mas, será que existe uma resposta prática?
Talvez a causa de tudo isso seja a liberdade exagerada concedida aos órgãos ligados à imprensa. Talvez o mínimo de censura seria o resultado para um pouco mais de ética na mídia. Não estou querendo dizer que devemos implantar aquele mesmo tipo de censura que vigorava há anos atrás na época da ditadura militar, mesmo porque todo indivíduo tem por lei o direito à liberdade de opinião e de expressão. Direito este conquistado graças a esforços conjugados de imprensa e sociedade.
O lamentável é saber que não se pode mais assistir a programas de televisão com a família, devido a imagens fortes de sexo e violência que os programas, novelas e filmes proporcionam aos telespectadores.
Já a internet, a atual mídia aberta à liberdade de expressão, não possui um órgão de censura, ou seja, ali o internauta encontra tudo o que deseja e também o que não deseja. O País necessita de um órgão que analise o material antes da veiculação, estabelecendo assim, ao menos um pouco de ética e profissionalismo na web.
Possivelmente a censura e a liberdade de expressão permanecerão num eterno conflito. Isso só poderá acabar se o concreto exercício de um deles não acarretar na invasão da esfera de ação do outro.
criação: lisandro staut e
siloé joão |
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