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"Focas" novamente 

Fernando Torres 


Ao concluir o curso de Jornalismo, o estudante recém-formado espera, finalmente, receber a recompensa financeira e honorária pelos anos de estudo. No entanto, com algumas exceções, estes merecidos méritos só virão com o passar dos anos, ao se atingir a maturidade profissional. Para todos os efeitos, o jornalista é novamente um "foca", num virtual retrocesso aos primeiros meses de faculdade.

Não deve haver ilusões quanto ao primeiro emprego. Dificilmente o recém-formado alcançará postos na grande imprensa de início - a menos que possua contatos realmente significativos. O caminho mais comum é pela pequena imprensa, a de interior, com salários medianos e trabalhos polivalentes. Esta terá o papel de uma segunda faculdade, na qual o "foca" terá oportunidade de aparar arestas, incorporar elementos da profissão que apenas o trabalho diário proporciona.

O principal instrumento para adentrar neste mercado, além da "cara-de-pau", é o fruto do trabalho do novo jornalista durante os quatro anos de faculdade. Aí, vale tudo: apresentação de estágios em empresas jornalísticas, na própria faculdade, como free lance e, até mesmo, material de boa qualidade ainda não-publicado, sem esquecer o célebre "QI" - o "quem indica" -, muito oportuno neste momento.

Nesse contexto, para felicidade de alguns e desespero de outros, a carga teórica adquirida na universidade não tem muito valor. O contratante não está interessado em saber se o jornalista conhece o pensamento da Escola de Frankfurt, mas sim no que ele sabe produzir. Trata-se de um triste paradoxo, sem dúvida, mas é assim que o mercado pensa. Os ensinamentos teóricos desenvolvidos pela faculdade têm lugar, sim, mas mais para aqueles que pretendem seguir carreira acadêmica, uma opção rentável e relativamente segura atualmente. Ainda sim, é recomendável que, quem deseja seguir este rumo, atue por um tempo em uma mídia, já que as universidades priorizam gradativamente o ensino prático ao teórico.

Que não haja desespero. Há muito que se diz que o mercado jornalístico está saturado. No entanto, o profissional competente irá encontrar seu espaço. Ressalte-se que o momento para adquirir essa competência não é na formatura. Espera-se que, desde os primeiros dias de faculdade, o então aspirante a jornalista molde os dons naturais às exigências da profissão. Se assim o for, os novos tempos de "foca" durarão pouco tempo.

                         

Nome: Fernando Marcondes de Torres.
Nascimento:
03/12/83.
Experiência profissional:
Fernando é natural de Santo André, SP. Veio para o Unasp em 2001, e, no segundo semestre tornou-se chefe de reportagem  da Unaspress (hoje ABJ). De agosto de 2002 a março de 2004 foi o primeiro editor-chefe do Canal da Imprensa. Desenvolveu também a função de editor-chefe no telejornal Semana em Foco, produzindo também algumas reportagens e, a partir de setembro de 2004, trabalhou como assessor de imprensa do estúdio RNA Design. No início de 2004, trabalhou como editor-associado da revista Escola Adventista. Estagiou no jornal O Progresso, de Tatuí, em janeiro de 2002, colaborando posteriormente com o suplemento feminino "Coisa Nossa", do mesmo jornal. Escreveu artigos para os veículos: Canal da Imprensa, Diário do Campus, Observatório da Imprensa, Paraná Online, Revista Adventista, Acta Científica e O Universitário, entre outros. Também atuou como revisor e editor de livros da Imprensa Universitária do Unasp, entre esses Liberdade Vigiada, do jornalista e professor Ruben Holdorf. Torres se destacou no "Festival de Mídias" da III Semana de Comunicação recebendo o prêmio de melhor reportagem para televisão.