|
|
|
editorial |
especial | debate |
imprensa
em foco|
links |
mídia eletrônica |
cultura | perfil |
olho vivo | canal do leitor
| e-mail | expediente
| nostalgia
| opinião
anteriores | próximas edições | inicial
Besteirol
cinematográfico
Adriano Luz
Os primeiros clássicos foram lançados na década de
80 e se tornaram uma verdadeira febre. Com um enredo péssimo e uma trilha sonora de chorar, eles lançaram diversos astros como Matt Dillon, Ralph Macchio (o Daniel "San" de Karate
Kid), Tom Cruise, Patrick Swayze, Kevin Bacon e outros. Todos estes foram lançados ao estrelato e se tornaram ícones da rapaziada dessa época em filmes como
Pork's, Gatinhas e Gatões, Mulher nota 1000, O Último Americano
Virgem, Picardias Estudantis, todos recheados de sexo, bebidas e festas.
Existiam também aqueles que tratavam de temas de relacionamento com os pais, as drogas e a descoberta do amor. Entre eles estão:
O Rebelde, Namorada de Aluguel, A Garota de Rosa Shocking e um dos mais famosos da época:
Curtindo a Vida Adoidado, em que o malandro Ferris Bueller deixou de ir a escola por um dia enganando os pais, os professores e saindo para se divertir com a namorada e o melhor amigo.
Lixo de ouro
As coisas pioraram ainda mais com os filmes da década de 90 como American Pie
I, II, III, Segundas Intenções, Não é Mais um Besteirol Americano e outros. Essa indústria não vai parar enquanto ver um grande filão de ouro nesse segmento.
A grande indústria do cinema americano produz filmes com uma única intenção: ganhar dinheiro. Nenhum deles está preocupado em fazer com que o adolescente pense em melhorar seus valores, em desenvolver seu caráter ou alguma desse tipo. O que eles querem é que o adolescente
consuma - e muito. Para isso, tem feito do cinema um grande motivador do consumismo de tendências instantâneas. Qualquer coisa que saia nas telas de cinema é um prato cheio para o consumismo
teen.
A pedagoga e orientadora vocacional, Marly Timm, diz que "essa é a época em que o adolescente salta do grupo familiar para o grupo de pares, especialmente se o grupo familiar não é muito forte na vida do
adolescente".
"Para participar do grupo de pares ele faz qualquer coisa. Os modelos adotados por eles os desafiam e motivam e são tomados como ícones de seu grupo de pares. Eles passam a incorporar o artista, e depois descobrem que não é bem assim e se frustram buscando incansavelmente um outro modelo que corresponda as suas
expectativas", explica.
O adolescente, por natureza, é como um camaleão cultural que muda de acordo com as tendências do meio onde vive. O que o adolescente quer é o contato rápido e direto que a mídia oferece com essas tendências. Esse contato trabalha muitos sentidos no adolescente simultaneamente. Os filmes
teen convergem tudo isso em apenas duas horas de sons e imagens editados de tal maneira que levam milhares de adolescentes aos cinemas.
A maioria dos adolescentes gosta desse tipo de filme, mas tem aqueles que acham isso uma completa perda de tempo. Um exemplo é
Juliana Melino, 15 anos. Juliana acha os filmes "totalmente sem noção".
"Não gosto porque não tem graça nenhuma. Só se deixa levar por esse tipo de filme quem não tem personalidade alguma. Eu penso em curtir a vida, mas não de maneira irresponsável como passam esses
filmes", argumenta.
A indústria cinematográfica tenta passar uma idéia de que os descolados e legais são aqueles que passam a perna em todo mundo para conseguirem o que
querem e os que estudam, não bebem e preservam a virgindade são "os caras" mais quadrados de todos. Essa inversão de valores é colocada por pessoas do cinema que foram criadas com princípios totalmente existencialistas e materialistas em que é necessário "ter" para "ser".
É impossível impedir que os adolescentes assistam a esses filmes. Em algum momento, os adultos vão se deparar com perguntas relacionadas a drogas e sexo vindas de adolescentes. A grande questão não está no tipo de pergunta que será feita pelo adolescente, mas sim, se o adulto está preparado para responder corretamente. Nisso, muitos pais têm falhado e fugido de sua responsabilidade. É preciso estar preparado para responder às perguntas dessa juventude em constante metamorfose.
|
|