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PCO e PSTU - Lúdicos e pitorescos

Davi Basso

Com um minuto e meio separado para cada partido de extrema esquerda, os partidos PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e PCO (Partido da Causa Operária) corriqueiramente recebem um tratamento pitoresco por parte da mídia eleitoral. Apesar de quase não aparecerem nos jornais, revistas e nunca nos debates da televisão, estes partidos detêm editoras e até militância pela internet.

É o caso da entrevista de Zé Maria, candidato do PSTU, ao apresentador Jô Soares, marcada mais pela insistência dos militantes do partido, através da internet, que pela vontade da produção do programa. "Recebemos milhares de e-mails pedindo a participação do José Maria. Por isso ele está aqui", disse Jô, ao apresentá-lo. O PCO conta somente com um minuto e vinte e três segundos de televisão.

Na internet, além das fotos de Trotski, Marx e Lênin, o PCO mantém a livraria do partido, onde oferece CD's, fitas de vídeo, livros novos e também usados, camisetas, pôsteres, folhetos e até livros sobre a causa operária. Entre eles: O marxismo do nosso tempo e Porque o sandinismo fracassou. Possuem também os jornais Causa Operária, Mulheres, João Cândido e Juventude, sendo que a lista não pára por aí.

Como o acesso destas publicações é tão restrito quanto o orçamento, sua divulgação acaba sendo feita pelos militantes sem o mesmo alvoroço que é feito na campanha dos quatro grandes candidatos. E em se tratando de divulgação, o próprio candidato do PCO declara para uma das três grandes revistas brasileiras que "não leva jeito" para ser candidato, mas que foi "intimado a ser". "Como a intenção da campanha não era vencer, mas divulgar idéias do partido, tinha de ser alguém que não ficasse nas respostas decoradas", declara Rui Pimenta, candidato à Presidência pelo PCO.

Pimenta é jornalista e não gosta de chamar a atenção nas ruas. Num dos raros momentos de espaço na grande mídia ele aparece cozinhando, lendo com os pés descalços em cima do sofá, e andando de ônibus sem ser notado pelos passageiros. Já na vez de José Maria, o metalúrgico aparece fazendo barba e jogando sinuca. Pelo pé em que anda a disputa eleitoral, estas fotografias fariam qualquer marqueteiro subir pelas paredes.

E em relação aos slogans de campanha o "contra burguês, vote 16", do PSTU, é definido pelo próprio candidato como uma forma "bem-humorada" de ironizar o pouco tempo na mídia. Aqui qualquer semelhança com o Prona de Enéias não é mera coincidência. Já o "quem bate cartão não vota em patrão", slogan do PCO, é o mesmo slogan com o qual o PT - Partido dos Trabalhadores - iniciou sua trajetória. Esta influência se deve ao fato dos dois partidos terem saído de dentro do PT.

De certa forma, o PCO e o PSTU, além de pitorescos, também são lúdicos. Ao mesmo tempo em que recorrem a técnicas que mais fazem rir do que conscientizar, procuram um espaço para bradar suas idéias com um misto de fúria e seriedade.

Conforme a lei que divide o tempo no programa gratuito, o espaço da TV e do rádio corresponde ao tamanho do partido. Quanto maior for o partido, maior o tempo gratuito na mídia. Isto significa que este um minuto e meio para cada um dos dois partidos pode ser alterado, quem sabe com o passar dos anos ou até mesmo com alterações no discurso. Tanto uma como a outra é capaz de fazer novos adeptos e com isso aumentar sua exposição no veículo mais cobiçado das disputas eleitorais.

                    

criação: lisandro staut