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Excelentíssima senhora, a Censura!
Vanessa Candia
Censura! Para muitos, esta é uma palavra do passado, algo que poucos, os que a vivenciaram, sabem seu real significado. Afinal, a atual sociedade tem liberdade de expor suas idéias, seja sobre quem for, sem medo algum.
Colocar e tirar do poder - pela força do protesto e manifestações nas ruas - aqueles que não governam de acordo com o interesse da população era
considerado um suicídio na "dita ditadura".
Todavia, não é desta forma que o bonde anda. A censura sempre ressurge, na maioria das vezes imperceptível para a massa, mas sempre na "cola" de uma minoria que a atormenta por tanto tempo. Subgrupo este que já sofreu sérias conseqüências por não acatar as ordens da excelentíssima senhora, a Censura.
Nos últimos dias, o Brasil acompanhou a proibição da vinculação do Correio
Braziliense, por publicarem gravações de conversas telefônicas que comprometiam o então candidato
à reeleição do governo distrital, Joaquim Roriz (PMDB). A princípio, o jornal denunciaria, mas não citaria o nome do governador envolvido.
No entanto, para surpresa do leitor, a edição teve suas páginas em branco com um carimbo escrito "vetado". Durante alguns momentos houve uma regressão na história. Um sentimento de revolta atingiu jornalistas de todo País. Seria utopia pensar que em algum momento a censura deixou de atuar. Sempre que alguém quis interferir em seu caminho, os censores se manifestaram.
Não é sempre que o jornalista tem total liberdade de escrever sobre quem quiser e da maneira que desejar. Existem interesses maiores, o qual para estes não é conveniente que a notícia seja dada de maneira tão clara ao leitor. Isso ocorre devido ao fato de que muitos veículos de informação recebem "ajuda" de pessoas que tem interesse em passar uma auto-imagem que não condiz com a realidade.
Como essa proibição é conhecida somente por quem está nos bastidores da notícia, sem perceber, o leitor recebe a informação e forma sua opinião como a censura deseja. Ocorre então o objetivo principal de todo este processo: pessoas sem nenhum poder de escolha, incapazes de distinguir o certo do errado.
Os censores sempre tentaram desvirtuar a mente das pessoas para assuntos menos importantes. Coincidentemente, no período de maior repressão, foram liberados os filmes eróticos. Irônico por se tratar de uma época na qual a decência e a moral
deveriam prevalecer. Evidentemente, os censores tinham a intenção de desviar a atenção da população, que, mesmo achando tudo um verdadeiro escândalo, gostava.
Continua assim até hoje. Poucos são os programas que falam a verdade sem induzir a população. Estes são assistidos por um grupo selecionado, pois a grande massa não tem interesse neste tipo de programas, pois julga ser incapaz de compreender e, além de tudo, não diverte. Sim, pois mesmo durante o auge da ditadura, muitas pessoas não sabiam o que
acontecia.Os desaparecimentos eram explicados com suicídios e outros absurdos, e elas acreditavam. Somente anos
depois as pessoas realmente tiveram conhecimento do que acontecia ao seu redor.
A censura fez seu trabalho muito bem feito, não acha? Pois é. Continua fazendo.
criação: lisandro staut |
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