|
|
|
editorial
| debate |
opinião | perfil
imprensa em foco | mídia
| cultura
leitor
| e-mail | expediente
anteriores |
inicial
"Meu
nome é Enéas!"
Ketielly Bahia
Certamente muitos se espantaram com os resultados desta eleição. Creio que a maior de todas as surpresas foi a vitória do candidato Enéas Carneiro, que renunciou sua candidatura à Presidência da República por achar que se concorresse a deputado federal teria mais chances de vitória. É bom deixar bem claro que não foi uma desistência de sua parte, mas sim um recuo estratégico.
Enéas acertou em seu ardil, tanto que foi o candidato mais bem votado em todos os tempos -
elegeu-se com cerca de 1 milhão e 600 mil votos no Estado de São Paulo. Essa votação lhe deu o direito de levar consigo para a Câmara Federal mais outros cinco candidatos do Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), órgão criado por ele próprio. Além de o colocar como alvo de muita discussão.
Alguns, indignados, pensam em Enéas como um radicalista, sempre com idéias contrárias
às do governo. Estes acabaram atribuindo a culpa de sua vitória ao sistema em vigor, taxando-o como injusto, digno de ser reformulado. Possivelmente, até concordem com o correspondente Larry Rohter, autor de artigo publicado no
New York Times, que atribui três aspectos marcantes ao líder do Prona: características folclóricas, ideologias nacionalistas e a possibilidade de ser comparado a Jean Le Pen - candidato de extrema direita que teve boa votação, chegando ao segundo turno das eleições presidenciais na França em maio passado.
Já os defensores do partido, afirmaram que o voto em Enéas foi uma forma de demonstrar sua insatisfação e desagrado em relação às outras opções ou mesmo ao próprio sistema em vigor.
O importante é que, apesar da mídia continuar não dando atenção a Enéas - durante as eleições, que fique bem claro -, ele foi lembrado nas urnas. Seus míseros 28 segundos, dia sim, dia não, no horário político eleitoral e a magra verba de 60 mil reais (empréstimo feito pelo candidato para custear a campanha) não foram motivos para deixá-lo de ser o candidato mais bem votado de toda a historia do País.
Ao contrário de outros candidatos, Enéas não teve recursos, conseqüentemente, tempo suficiente para apresentar suas propostas na TV. O que não foi diferente de outras eleições, como a de 1989, onde ele dispunha de 15 segundos pra apresentar suas propostas. Estas, quem sabe, não mudaram muito, e depois de tanto se candidatar para um cargo político, o povo tenha gravado suas propostas.
Espera-se que os próximos quatro anos, nos quais o Prona terá uma significativa participação no Congresso, sirvam para trazer algum beneficio à população, que de uma forma ou de outra, direta ou não, foi quem os colocou ali. Infelizmente, sabendo pouco mais do que "Meu nome é Enéas!".
criação: lisandro staut |
|